Basf mira novo transgênico e não descarta aquisições em sementes

A onda de consolidação no mercado global de sementes e defensivos agrícolas, que nas últimas semanas ganhou um novo capítulo com as negociações entre Monsanto e Syngenta, também está, de algum modo, no radar da divisão agrícola da múlti química alemã Basf. A companhia evita detalhar suas intenções, mas não descarta aquisições no segmento de sementes, embora reforce que não há nada definido até o momento.

"Nós não temos ativos de sementes hoje e estamos olhando para esse mercado, mas não quero especular sobre nenhuma empresa em específico", disse ao Valor Markus Heldt, presidente global da unidade de proteção de cultivos da Basf, em evento para a imprensa realizado ontem, em Campinas (SP).

O executivo ressaltou que "a agricultura é uma área interessante para a Basf", mas frisou que a compra desses ativos "não é necessariamente a prioridade número 1". "Temos parcerias com diferentes players de sementes, e nos últimos 20 anos temos obtido muito sucesso nesse modelo", avaliou.

Um dos frutos mais recentes dessas parceiras começará a ser colhido no Brasil nesta safra 2015/16. A soja transgênica Cultivance, tolerante a herbicidas, foi desenvolvida juntamente com a Embrapa e recebeu em abril deste ano a aprovação que faltava – da União Europeia – para ganhar os campos do país. A tecnologia estava aprovada desde 2009 pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), mas Basf e Embrapa preferiram aguardar o sinal verde dos importadores da oleaginosa.

"Teremos quatro variedades Cultivance nesta temporada, mas programamos um ano de estreia comercial mais ampla para 2016/17", contou Francisco Verza, vice-presidente da unidade de proteção de cultivos no Brasil.

A Cultivance busca seu espaço em um mercado ávido por alternativas para o controle de ervas daninhas resistentes ao herbicida glifosato – problema que se intensificou nos últimos anos com o avanço de cultivos que carregam o gene Roundup Ready (RR), da Monsanto. A própria Monsanto tem suas apostas – entre elas a Intacta -, mas outras rivais, como a alemã Bayer CropScience, preparam novidades nessa frente.

O braço agrícola da Basf prevê vendas globais de € 6 bilhões em 2015, alta de 11% sobre 2014. A América do Sul, e o Brasil em especial, deve puxar parte importante desse crescimento. Em maio, a Basf inaugurou uma nova planta de herbicidas sólidos em Guaratinguetá (SP). "Antes, importávamos herbicida dos EUA. Hoje, formulamos aqui e exportamos para diversos países da América Latina", disse Eduardo Leduc, vice-presidente sênior de proteção de cultivos para a região.

Fonte: Valor | Por Mariana Caetano | De Campinas (SP)

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