Barter segue forte, aponta sondagem de Fiesp e OCB

Em tempos de retração da economia, escassez de crédito e ajuste fiscal, os produtores rurais brasileiros tiveram que buscar alternativas para custear a safra 2015/16, que terminou "oficialmente" em 30 de junho. E o cenário não é muito diferente neste ciclo 2016/17, cuja semeadura de grãos está em curso em todo o país. É o que sinaliza a "Sondagem de Mercado" realizada em parceria pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) no segundo trimestre deste ano.

O trabalho mostra que os produtores consultados acabaram por recorrer aos bancos para financiar 37% da safra 2015/16, ante os 42% previstos na sondagem anterior, feita no quarto trimestre do ano passado. Do próprio bolso, os produtores tiraram 32% de suas necessidades de "funding" – abaixo dos 41% projetados antes -, e com cooperativas eles buscaram 14% do que precisavam, também 4 pontos percentuais a mais do que previam.

Mas o grande destaque foi o aumento da participação das revendas de insumos nessa conta. Por meio sobretudo de operações de barter (troca de insumo pela futura colheita de grãos), a fatia dessas revendas chegou a 11%, muita acima dos 3% estimados no último trimestre de 2015. Da mesma forma, os recursos obtidos com indústrias de insumos, também por conta de operações de bater, representaram, em média, 5% do "funding" total necessário.

"Os atrasos na liberação do crédito para o pré-custeio em 2015 já apontavam para uma modificação no ‘funding’ da operação agrícola e, concluída a safra 2015/16, constatou-se que o financiamento via revendas, tradings e aquele feito diretamente pelas indústrias de insumos ganharam importância em relação ao apontado pela sondagem anterior", afirma, em comunicado, Antonio Carlos Costa, gerente do Departamento do Agronegócio da Fiesp.

"O aumento da procura pelas cooperativas, inclusive para operações de bater, mostra que o sistema cooperativista está alinhado com as necessidades dos produtores rurais", diz, no mesmo comunicado, Márcio Lopes de Freitas, presidente da OCB. Os produtores consultados na sondagem do segundo trimestre sinalizaram que as participações das fontes de financiamento citadas nas contas desta safra 2016/17 deveriam se manter inalteradas. Mas, segundo Costa, a queda dos canais tradicionais de crédito poderá até se aprofundar casos a taxa básica de juros da economia brasileira – a Selic – se mantenha muito próxima do patamar atual (14,25%).

Por Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor

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