Barter deve crescer no setor

 

O fornecimento de cana de produtores independentes para usinas através de mecanismos como o barter ainda é incipiente, mas deve crescer nos próximos anos. É a avaliação de Paulo Leal, presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), para quem a estratégia será uma das alternativas de financiamento no setor, principalmente diante das atuais restrições de crédito por parte dos bancos.

Leal estima que 10% da cana que os 70 mil associados da federação produzem por safra, o equivalente nesta safra a 18 milhões de toneladas, são entregues a usinas através de troca por insumos, geralmente com intermediação de tradings. Ele estima que, nos próximos três anos, essa participação pode crescer para 15% dos fornecedores associados.

Essa já tem sido a forma com que Edson Viesel, produtor de Santa Rita do Passa Quatro, a cerca de 90 quilômetros de São Carlos, no interior paulista, tem vendido em cada safra suas 80 mil toneladas de cana. Segundo Viesel, uma das vantagens desse modelo é que a trading lhe paga no ato da entrega da cana. "Às vezes, antes do início da safra, ela adianta 50% do valor da cana para os produtores", diz. Pelas regras atuais, as usinas pagam 80% do valor da cana no mês seguinte à entrega e os demais 20% no fechamento da safra.

A garantia de recebimento e de financiamento da produção também é um ponto favorável, dado que muitos produtores foram afetados pela inadimplência de usinas e até hoje têm a receber no caso das que estão em recuperação judicial. "Os atrasos para fornecedores fizeram com que eles ficassem com dívidas e tivessem problemas para contratar crédito", observa Leal.

A alternativa é ainda mais atrativa para os produtores de cana de grande porte, já que a linha de financiamento do BNDES voltada para a renovação e ampliação dos canaviais, o Prorenova, é limitada a R$ 150 milhões por grupo econômico. Geograficamente, essa relação com as tradings tende a crescer principalmente em Goiás e Mato Grosso, acredita Leal. "É onde os agricultores já têm conhecimento do barter por causa do milho e da soja", diz.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte: Valor

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