Banco Indusval se une à trading Ceagro

Ana Paula Paiva/Valor / Ana Paula Paiva/Valor
André Mesquita (esq.), do Indusval, e Antonio Gonçalves, da Ceagro, pretendem conceder até R$ 300 milhões para agricultores do Centro-Oeste na safra 2013/14

O banco Indusval e a trading Ceagro Agrícola fecharam uma parceria para financiar produtores rurais de milho e soja por meio da aquisição de cédulas de produto rural (CPR), instrumento comum de custeio na agricultura.

Indusval e Ceagro se tornaram sócios na recém-criada C&BI Agro Partners, cujo controle será dividido entre o banco e a trading. Já na safra 2013/14, a expectativa é que a nova companhia financie entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões para os produtores rurais. Inicialmente, as operações ficarão restritas à região Centro-Oeste do país.

Pelo modelo de negócios desenhado, não é o dinheiro em si que os agricultores vão receber da C&BI. O banco e a trading vão trabalhar com a chamada CPR física. Ao emitir o título, em vez de receber recursos, o produtor ganha fertilizantes, adubos, sementes e outros insumos para o cultivo dos grãos. Entre troca, ele garante à C&BI que pagará sua dívida com os grãos que produz.

Em geral, os bancos trabalham apenas com a CPR financeira, pela qual o produtor assume uma dívida financeira, em moeda equivalente ao valor de uma certa quantidade da produção. Oscilações do preço das mercadorias – que pode subir ou cair ao longo do contrato de até 12 meses – são arcados pelo tomador da dívida.

Já na CPR física, esse risco fica com quem concede o empréstimo. "Juntos, o banco e a trading têm condições de travar esse risco com derivativos. Muitos produtores, por outro lado, não conseguem fazer isso. Agora vamos trabalhar na moeda do agricultor", diz André Mesquita, diretor vice-presidente do Indusval. O banco está de olho no mercado de commodities agrícolas brasileiro.

Por meio do seu balanço, o banco poderá comprar mais CPRs do que a Ceagro vem adquirindo sozinha atualmente. O Indusval tem hoje uma folga de capital, com um índice de Basileia de 17%, acima do mínimo de 11% exigido pelo Banco Central. Pode, portanto, se alavancar além da atual carteira de R$ 3 bilhões que tem.

Em outra ponta, a partir da parceria com a Ceagro, o Indusval também poderá trabalhar com a CPR física. Só banco controlados por tradings, como é o caso da Cargill, é que costumam trabalhar com CPR física.

"Sem uma estrutura de logística, que a Ceagro tem, seria impossível fazer esse tipo de operação", diz Mesquita. Ao fim dos contratos, quem vai receber os grãos dos produtores é a Ceagro, que ficará responsável por exportá-los.

"Queremos unir o mercado físico com o mercado financeiro", diz Antonio Carlos Gonçalves Júnior, presidente da Ceagro, empresa que origina 2 milhões de toneladas de grãos por ano. "Não queríamos virar uma instituição financeira. Com a parceria, já resolvemos a limitação de capital."

Sozinha, a Ceagro hoje já financia cerca de R$ 200 milhões por safra. Com a C&BI, a trading poderá continuar fazendo as operações de forma isolada, sempre que não houver interesse do banco na transação. Na nova companhia, a análise de crédito será feita tanto pelo Indusval quanto pela Ceagro.

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Fonte: Valor | Por Carolina Mandl | De São Paulo

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