Bancada reúne economistas para debater dívida do Estado

Um diagnóstico do tamanho da dívida do Rio Grande do Sul com a União e critérios para a amortização do débito de quase R$ 50 bilhões pautaram reunião da Bancada Gaúcha no Congresso nesta segunda-feira, 16, em Porto Alegre.

O coordenador da bancada e proponente do debate, deputado federal Alceu Moreira (PMDB), destacou que a discussão tem chegar ao conhecimento da população. “Temos problemas para negociar porque não temos força política para tomar decisões, porque esses assuntos são de domínio de poucas pessoas. É importante debater com a população, de tal maneira que o RS tenha discurso de Estado, não de governo”, ressaltou o coordenador.

Adalmir Marquetti, presidente da Fundação de Economia e Estatística do RS (FEE), analisou que um dos problemas do aumento da dívida é a taxa de juros. “Um exercício da fazenda mostra que pode ocorrer uma queda bastante significativa da dívida de R$ 42 bilhões para R$ 16 bilhões, com a renegociação da dívida. Vamos chegar em 2027 provavelmente com algum resíduo, mas um valor que vamos conseguir pagar”, explicou Marquetti.

O ex-governador do RS, Germano Rigotto, apontou que a Lei Kandir de 2006 a 2010 representou R$ 17 bilhões de perda de receita pela desoneração de produtos para o Rio Grande do Sul. “O governo federal neste período devolveu para o Estado R$ 735 milhões, nunca a União devolveu os 50% que os estados exportadores tinham direito”, rememorou Rigotto.

Para o economista João Pedro Casarotto, o grande problema é o juro acoplado. “De 1994 a 1998 tivemos um acréscimo na dívida de 122%, passou de R$ 20 bilhões para R$ 45 bilhões em quatro anos, decorrente da política econômica adotada pelo governo federal”, completou.

De acordo com Liderau Marques Junior, economista da FEE, o déficit do Estado é afetado por fatores econômicos e também políticos e institucionais. “Fatores econômicos, como taxa de crescimento de PIB real e inflação, e políticos, que explicam a geração de déficit público, como por exemplo, as eleições, a maioria no parlamento e o regime político. Fatores institucionais também podem gerar déficit, como o número de secretarias ou ministérios”, constatou o economista.

Já o economista Darcy Carvalho dos Santos, afirmou que a solução passa pela União. “A dívida é um grande problema, não só pelo valor do serviço, como pelo crescimento do saldo devedor. A solução depende da boa vontade do governo federal, mas o grande desafio do Estado é como sair do déficit estrutural. Pois necessita de uma visão estratégica de longo prazo”, sentenciou Carvalho dos Santos.

Participaram do debate os deputados federais Beto Albuquerque, Fernando Marroni, Giovani Cherini, Ronaldo Nogueira, Ronaldo Zulke, Darcísio Perondi, Jeronimo Goergen, Nelson Marchezan Junior, e estaduais Edson Brum, Frederico Antunes e Gilmar Sossela.

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Fonte: Site Alceu moreira