Baixa procura por trigo

Leilão da Conab, que ofereceu 46,6 mil toneladas no RS, teve compradores para 31,6% da oferta

Apesar da boa qualidade do trigo ofertado em leilão, ontem, pela Conab (46,6 mil toneladas), apenas 31,6% do volume localizado no Estado (14,76 mil t), teve compradores. O valor da tonelada, que abriu a R$ 670,00, fechou em R$ 670,50, resultando em uma operação de R$ 9,9 milhões. Segundo o presidente do Sinditrigo, José Antoniazzi, o valor está acima do preço médio de mercado e muitos moinhos ainda estão abastecidos. ‘Eles compraram o grão da Argentina e do Uruguai’, explica o dirigente. No país, a Conab negociou 39,5 t, o que representa 55,2% da oferta.

Na avaliação do superintendente regional da Conab, Glauto Melo Junior, o reduzido interesse de ontem pode fazer com que a companhia repense a oferta para os próximos leilões. ‘Talvez seja sintoma de que o mercado está abastecido’, diz Melo Junior. A companhia vem leiloando trigo desde março, a cada 15 dias, para regular o mercado. Na avaliação do superintendente, o preço elevado da tonelada é o que justifica o baixo interesse da indústria.

Mas, segundo Antoniazzi, nos próximos meses, os moinhos inevitavelmente precisarão adquirir os estoques do governo para operar, o que pode resultar em preços elevados, principalmente frente à fraca demanda desses primeiros pregões. A indústria gaúcha está à procura de matéria-prima a preços mais competitivos. ‘Os moinhos compram no leilão, mas também verificam outras ofertas do mercado’, considera o superintendente da Fecoagro, Tarcísio Minetto. ‘Neste momento, não é interessante para os moinhos saírem comprando e disputando trigo’, acrescenta o presidente da comissão de trigo da Farsul, Hamilton Jardim. Segundo ele, a tendência para daqui a dois meses, quando os moinhos já tiverem esvaziado seus estoques, é de alta no preço do trigo.

No RS, sobraram estoques de trigo em Água Santa, Cruz Alta, Ibirubá, Júlio de Castilhos, Maçambará, Palmeira das Missões, Passo Fundo, Santa Rosa, Santo Ângelo, São Luiz Gonzaga e Tucunduva. Os 32.044 t que deixaram de ser leiloados no pregão de ontem vão para o próximo leilão pela Conab em 15 dias, somados a mais 50 mil t de trigo que serão ofertadas.

No campo, o reflexo dos leilões é praticamente nulo. Sem trigo nas mãos, o agricultor não teme redução de preço, muito pelo contrário. Segundo Jardim, a venda dos estoques abre espaço nos armazéns para a nova safra e serve como balizador de preço para a colheita 2013/2014.

Fonte: Correio do Povo

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