Bahia e ‘Mapito’ puxam consumo de fertilizante


David Roquetti Filho, da Anda, acredita que o aumento do consumo de adubos no ‘Mapitoba’ continuará nos próximos anos

A demanda por fertilizantes da região conhecida no setor de agronegócios como "Mapitoba" (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia), ou "Matopiba", que ganhou destaque na produção de grãos sobretudo na última década, cresceu a taxas de dois dígitos nos últimos 22 anos, muito acima da maioria dos demais Estados e regiões agrícolas do país. É o que aponta levantamento do diretor-executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), David Roquetti Filho.

No Brasil, a taxa média anual de crescimento do uso de adubos foi de 8,2% de 1950 a 2011 e de 5,8% entre 1989 e 2011. Nesse período mais recente, o Piauí apresentou taxa de 19% ao ano, o Maranhão de 16,2%, Tocantins de 15% e a Bahia, de 10%. Somente a Bahia registrou crescimento abaixo de Mato Grosso (12%), que é o maior Estado consumidor de fertilizantes do país.

Para situar melhor o tamanho do mercado de adubos do "Mapitoba", alguns Estados importantes na produção agrícola, como Paraná e Rio Grande do Sul, registraram taxas bem menores – 5,7% e 3,9%, respectivamente, de 1989 a 2011. E mesmo São Paulo, segundo colocado no ranking de entregas de fertilizantes no primeiro semestre de 2012, apresentou taxa de aumento de apenas 1,4% nos últimos 22 anos.

Apesar dos elevados índices de crescimento, os Estados da "nova fronteira agrícola", com exceção da Bahia, ainda respondem por uma parcela pequena do consumo nacional desses insumos – embora essa participação tenha aumentado nos últimos anos. Tocantins, por exemplo, figurou com fatia de apenas 0,9% nas entregas de fertilizantes no ano passado.

O volume consumido dos quatro Estados do "Mapitoba" saltou de cerca de 270 mil toneladas, em 1989 (sem considerar o consumo muito pequeno do Tocantins), para 2,957 milhões de toneladas em 2011, ou 10,4% da demanda total de fertilizantes.

Conforme dados do Ministério da Agricultura, o "Mapitoba" produziu 4,5 milhões de toneladas de grãos em 1989, ou 6,2% do total nacional. O volume deverá saltar para 14 milhões de toneladas este ano (8,6% do total), um ganho superior a 200%.

O coordenador da Assessoria de Planejamento Estratégico do Mapa, José Garcia Gasques, acredita que a região vai continuar a apresentar fortes crescimentos e enumera diversos fatores para a expansão, como as terras extensas e planas que facilitam a mecanização e os preços atrativos.

"Os produtores estão contornando problemas de risco climático com tecnologias, como variedades adaptadas", pontua Gasques. A região deve representar este ano cerca de 9% do Valor Bruto da Produção (VBP) das principais lavouras cultivadas no país – que, no total, deverá atingir R$ 213,48 bilhões, segundo a projeção mais recente do governo.

Roquetti Filho acredita que o crescimento do "Mapitoba" continuará nos próximos anos devido ao grande potencial de áreas agriculturáveis, com destaque para soja, milho algodão e cana. Na região Norte, tradicionalmente a demanda é muito pequena, mas também existe potencial de expansão do uso de adubos, segundo ele, mas alerta que o "potencial real" ainda é o "Mapitoba". "Mas é preciso acompanhar as questões de logística", ressalva.

Os fertilizantes compõem mais de 60% do chamado pacote tecnológico de insumos da atividade. De acordo com dados do IBGE e da Anda, se o Brasil não tivesse aplicado esses insumos desde os anos 1970, quando a produtividade média era de 1,44 tonelada por hectare (na safra 2010/11 foi de 4,24 toneladas por hectare), seriam necessários 150 milhões de hectares para a produção atual. Assim, pelas contas das instituições, foram "poupados" 88 milhões de hectares no período.

Para 2012, consultorias e bancos estimam a entrega das misturadoras às revendas em 29 milhões a 29,5 milhões de toneladas, ante o recorde de 28,3 milhões de toneladas de 2011. Com o maior consumo de fertilizantes, o país aumentou a sua dependência pelas importações. Em 1998, elas representaram 50,6% do consumo interno; em 2011, a fatia chegou a 70,1%.

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo

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