Azeite é o segundo alimento mais fraudado

Todos os azeites de oliva comercializados no Brasil contêm, na embalagem, informações físico- químicas que dão uma ideia de como a azeitona foi processada, a qualidade do óleo e o seu tempo de duração. Na próxima safra, uma mão na roda para as marcas gaúchas é o credenciamento do laboratório da Embrapa, em Pelotas, especializado em azeite. Até este ano, os produtores tinham que enviar suas amostras para São Paulo, onde se concentram os poucos laboratórios certificados pelo Ministério da Agricultura.

Segundo o presidente do Ibraoliva, Paulo Marchioretto, a unidade em Pelotas vai trazer redução no tempo de análise e no custo logístico para o produtor, além de proissfionalizar ainda mais a cadeia gaúcha. De acordo com o pesquisador da Embrapa Clima Temperado de Pelotas Rogério Jorge, a instituição ainda não definiu o preço das análises que serão realizadas para a próxima safra, mas, com certeza, elas serão mais baratas que as atuais no mercado. "Por se tratar de uma empresa pública, o valor será apenas para manutenção do laboratório", afirma.

Os índices físico-químicos analisados são acidez titulável, índice de peróxido, extinção do ultravioleta e processo da ranciicação do azeite. As informações são obrigatórias para o rótulo do produto, conforme Instrução Normativa nº 01/2012 do Mapa.

Porém não é o bastante para identiicar eventuais falsificações, explica Jorge.

"Em casos grosseiros, os testes até podem detectar algum indício de fraude, mas não é este o objetivo do exame físico-químico.

O mais adequado para identificar falsificações é o teste sensorial", diz. Esse tipo de análise não é feita em grande escala no Brasil, nem é obrigatória, e é bem mais sensitiva: aromas, sabores e texturas são levados em conta.

Em geral, as falsificações são para aumentar o volume do produto.

"Há importadores que compram azeite de má qualidade de fora e acrescentam óleo de soja, mas é possível identificar pelo gosto e pelo cheiro", alerta Marchioretto, do Ibraoliva.

De acordo com Cid Rozo, coordenador- geral de Fiscalização de Qualidade Vegetal do Mapa, o azeite é o segundo produto alimentar mais fraudado no mundo, perdendo somente para o pescado.

Segundo o órgão, em 2019, 3,5% das marcas analisadas em fiscalização estavam irregulares.

Fonte: Jornal do Comércio

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