Avicultura pede ao Estado que retome crédito presumido de 4%

MARCELO G. RIBEIRO/JC

A atividade está na UTI, afirmou Freiberger

A atividade está na UTI, afirmou Freiberger

A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) espera que até o final do mês o governo do Estado volte a conceder o crédito presumido de ICMS de 4%, que vigorou entre setembro de 2010 e o final do ano passado. Segundo o presidente da entidade, Nestor Freiberger, a experiência feita em janeiro com o crédito de 2% se mostrou negativa e as empresas gaúchas começaram a perder espaço no mercado interno gaúcho.
“Queremos, já em março, voltar à situação que tínhamos até dezembro. A guerra fiscal é o grande problema da avicultura brasileira. Aqui, no Rio Grande do Sul, a alíquota normal do ICMS para o frango é de 7%. Com o crédito presumido de 2%, estamos pagando 5% de imposto e perdemos competitividade diante do produto que vem de outros estados. Com a alíquota de 3%, resultante do crédito de 4%, também estávamos com custos 3% maiores que a concorrência, mas era uma margem mais fácil de administrar”, disse ele, que se mostrou satisfeito com a sensibilidade da equipe técnica da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) para a questão, apresentada ao governo em reunião na quarta-feira passada.
Freiberger  destacou que a avaliação de desempenho dos últimos anos mostra uma ligeira retomada nas vendas ao mercado interno gaúcho – atrelada ao suporte dado pelo crédito presumido de 4%. “Mas com o corte de 50%, continuaremos perdendo espaço no mercado do Rio Grande do Sul. Não temos competitividade na porta das nossas empresas. Não concordamos com a guerra fiscal, mas ou você entra no jogo, ou está fora dele. A avicultura está na UTI e queremos sair dela vivos”, afirmou.
O dirigente ressaltou que o setor espera igualdade de condições para competir no mercado gaúcho e que isso pode ser feito tanto com a isenção ou redução dos impostos locais, quanto com a compensação das isenções de outros estados, através da tributação dos produtos que vêm de fora. Essa ideia, apontou ele, teve boa acolhida pela Sefaz, mas para ser aplicada precisa de aprovação da Assembleia Legislativa.
Segundo a Asgav, a comercialização total de carne de frango produzida no Rio Grande do Sul alcançou, em 2011, o patamar de 1.056 milhão de toneladas. O volume geral representa uma queda de -4,9% em relação ao ano anterior. Entretanto, a avicultura gaúcha registrou crescimento tanto nas vendas internas no Estado, quanto para os demais estados brasileiros: 1,62% nas vendas para o mercado gaúcho e 6,5% nos demais estados. “Alguns fatores como o atendimento a novos mercados e o aumento de consumo deram sustento a esse crescimento. Mas para retomar a fatia de mercado que vínhamos perdendo há dez anos, não é rápido e, se perdemos competitividade, fica muito difícil”, disse ele.
No ano passado, a crise em alguns dos principais mercados compradores do frango gaúcho, como a União Europeia, motivou a queda de 8,49% nas exportações, frente aos resultados de 2010. Isso foi determinante para a retração na comercialização total de frango. O Estado abateu 833,8 milhões de aves no ano passado (69 milhões abatidas ao mês), 3,7% a mais que no ano anterior. Segundo a Asgav, as agroindústrias gaúchas produziram 1,639 milhão de toneladas de carne de frango em 2011, 3,35% a mais que no ano anterior.
Freiberger afirmou que a oferta de carne de frango de outros estados no Rio Grande do Sul foi de 250.050 toneladas no ano passado, o equivalente a 49,2% do consumo interno gaúcho. Ele calcula que, com uma população de 10,7 milhões de habitantes e um consumo médio de 47,5 quilos de frango ao ano por pessoa, o consumo do Estado chegou a 508.250 toneladas ao longo do ano.

Produtores de milho replantam o grão

Após as chuvas ocorridas, muitos agricultores gaúchos aproveitaram para plantar o milho pela segunda vez, na tentativa de amenizar os prejuízos com a safra normal. Porém, em vários municípios, a chuva não foi suficiente para haver condições de semeadura. Em alguns casos, o milho semeado na ocasião até germinou, mas com a continuidade da estiagem o desenvolvimento dessas lavouras é sofrível. Na maioria das lavouras atingidas pela estiagem, os agricultores cortaram o milho para silagem, porém, o material é de baixa qualidade. A colheita já atinge 25% da área, com outros 18% estão maduros, 28% em enchimento de grãos, 14% em floração e 15% em desenvolvimento vegetativo.
Nesta semana produtores de arroz começaram a colheita. Em São Borja, a colheita tem mostrado uma produtividade média estimada em 6.777 kg/ha. No momento, a cultura encontra-se com 30% da área em desenvolvimento vegetativo, 43% em floração, 23% em enchimento de grão e 3% maduras. O desenvolvimento da soja é prejudicado na proporção direta da falta de chuvas. Muitas lavouras estão na fase de floração (50% do total) com porte reduzido. As demais fases se dividem em 34% em enchimento de grãos e 16% em desenvolvimento vegetativo. Nos cultivos do tarde, que estão com porte  uito baixo e com falhas na germinação, a recuperação deverá ser menor mesmo que volte a chover mais intensamente, e irá depender, também, da não ocorrência de frio no outono.

Fonte: Jornal do Comércio | Clarisse de Freitas

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