Avicultores e Doux Frangosul fecham negociação na segunda

Uma reunião liderada pela Fetag reuniu produtores e sindicatos de munícipios das regiões do Vale do Taquari, da Serra gaúcha e do Vale do Caí, em busca de alternativas para o impasse entre os integrados e a Doux Frangosul no Rio Grande do Sul. Depois de repassar as operações de suínos à BR Foods, na tentativa de sanar o passivo estimado em R$ 13 milhões e retomar a produção, a expectativa girava em torno de uma intervenção semelhante para a área de frangos. No entanto, os rumores de que a JBS assumiria as operações de aves no Estado pode esbarrar no passivo da empresa francesa, estimado em mais de R$ 600 milhões.
Um telefonema, feito durante o encontro nesta quinta-feira, resultou na promessa de que diretores encarregados das negociações cheguem ao Brasil neste final de semana e apresentem uma resposta já na segunda-feira. Descrentes com a possibilidade do anúncio de um novo parceiro, os produtores começam a avaliar outros encaminhamentos para resolver a falta de pagamentos aos cerca de 1,5 mil produtores de frangos, que perdura desde agosto do ano passado, e já ultrapassa os R$ 50 milhões. 
“A negociação com a Doux Frangosul chegou ao limite do que se poderia suportar. Não temos a intenção de pedir que os produtores de frango esperem mais 30 dias para uma resolução, sem comprometimentos claros da empresa sobre os novos parceiros. Esta não será a nossa posição na semana que vem. Até o inicio da próxima semana será encerrado este ciclo de negociações para o bem ou para o mal”, enfatiza o presidente da Fetag, Elton Weber. 
Weber ainda afirma que nesta sexta, durante uma audiência pré-agendada com o governador Tarso Genro, abordará a questão. “Levaremos o assunto para que o governo possa colaborar com contatos do Bndes e com a própria empresa para avaliar as possibilidades. Também é preciso um envolvimento maior na esfera federal para buscar uma saída. Se não houver negociação, outras empresas têm de assumir esta fatia de mercado e devem contar com apoio institucional para fazê-lo”, destaca.
De acordo com o dirigente, os representantes se reunirão na próxima quarta-feira para analisar o resultado na nova proposta. Entretanto, a comissão já trabalha em três frentes de atuação. Segundo ele, o primeiro passo deve ser o aprofundamento das ações jurídicas, “à exemplo do que foi feito na área de suínos”. Em seguida, estudos de viabilidade tentarão identificar possíveis empresas capazes de absorver parte dos abates de frango, além de linhas de crédito específicas junto aos agentes financeiros “que possam despertar novos interessados” em assumir a estrutura da Doux no Estado.

Associação para assumir operações não está descartada

Após o encontro na sede da Fetag, os produtores demostravam preocupação com o cenário atual. Há mais de sete meses sem receberem pelos repasses realizados à Doux Frangosul, representantes sindicais não acreditam em uma saída semelhante à encontrada pelos integrados de suínos e comentam que a empresa demonstra “encaminhar um decreto de falência” na área de frangos. “Parece que querem terminar com a produção de frango para depois caírem fora. Se eles fossem anunciar a JBS como nova operadora, já teríamos sido contatados, como aconteceu com a suinocultura”, revela um dos participantes da comissão instalada sobre o tema. 
Atualmente, segundo os sindicatos, a Doux possui apenas um setor de embutidos em atividade. Na área de suínos, depois do repasse das operações para a BR Foods, há um novo fluxo de aquisição de matérias-primas. Para os frangos, no entanto, as compras estão suspensas e a linha trabalha com lotes de estoque que devem se esgotar nos próximos dias.
Por isso, o presidente da Fetag, Elton Weber, cobra agilidade na resolução do problema. De acordo com ele, mesmo que um novo parceiro assuma toda a estrutura da empresa no Rio Grande do Sul, a maior parte dos integrados ainda teria de procurar outras formas para escoar os abates. “Tentaremos trabalhar a questão junto ao governo do Estado para que novas empresas possam ingressar no processo. Não para comprar, mas para ampliar as suas atividades e absorver a produção via recursos do Bndes”, analisa. Weber não descarta que uma associação formada pelos próprios produtores possa assumir a industrialização, mas antecipa que a solução não deve contemplar a todos.  “Diante dos novos fatos, veremos todas as possibilidades. Certamente, não será uma solução para todos e pretendemos envolver com mais força o Estado e a União. Não está descartado que procuremos por conta própria os agentes financeiros para consultar linhas específicas que possam reestabelecer as atividades. Depois de um estudo técnico, não se pode rejeitar este modelo.”

Fonte: Jornal do Comércio | Rafael Vigna

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