Aviação agrícola prevê prejuízo com veto à pulverização

Ministério da Agricultura liberou parcialmente a pulverização de agrotóxicos em algumas culturas

AP Photo/John McConnico

Foto: AP Photo/John McConnico

Na soja será permitida apenas uma única aplicação num prazo de 40 dias

O presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola, Nelson Antônio Paim, prevê grandes prejuízos ao setor após o governo federal ter restringido as pulverizações aéreas de lavouras com agrotóxicos que contenham os princípios ativos imidacloprido, clotianidina, fipronil e tiametoxam. Considerando a medida uma catástrofe, ele apontou prejuízos principalmente em Mato Grosso, mesmo com a liberação temporária da pulverização de algumas culturas nesta safra, pois não existem defensivos alternativos para serem utilizados pelos agricultores.

Paim afirmou que a decisão conjunta do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) e Ministério da Agricultura, publicada quarta, dia 3, no Diário Oficial da União, não liberou as pulverizações com os quatro princípios ativos em lavouras de algodão. No caso da soja será permitida apenas uma única aplicação num prazo de 40 dias, entre 20 de novembro a 1º de janeiro de 2013. Ele comentou que em Mato Grosso as empresas tradicionalmente operam em lavouras de soja entre novembro a março. No caso do algodão, isso acontece de janeiro ao final de maio. Nesta safra, em vez de seis meses vão trabalhar apenas 40 dias.

O dirigente declarou que a entidade vai tentar se reunir com o Ministério da Agricultura para discutir o assunto e está estudando os recursos jurídicos para contestar a decisão do governo. Paim argumenta que a aviação agrícola é regulamentada por lei, tem que respeitar uma série de normas e está sujeita à fiscalização, enquanto a pulverização terrestre não está sujeita a estes controles.

Pelos cálculos da entidade o setor emprega 7 mil pessoas. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), existem 228 empresas e uma frota de 1.725 aeronaves. Entre as empresas, 79 estão sediadas no Rio Grande do Sul (34,6% do total), 35 em São Paulo (15,4%), 28 em Mato Grosso (12,3%), 25 no Paraná (11,0%) e 17 em Goiás (7,5%). A maior parte da frota está em Mato Grosso, com 385 aeronaves (22,3%), seguido do Rio Grande do Sul com 382 (22,1%), São Paulo com 242 (14%), Goiás com 205 (11,9%) e Paraná com 125 (7,2%).

Como o cerco está se fechando contra a aviação agrícola, os pilotos do setor estão se organizando numa comunidade no Facebook para angariar fundos e realizar uma campanha nacional em defesa da atividade. Na convocação eles lembram que já existem restrições em vários municípios e no Congresso Nacional tramitam vários projetos de lei sobre o assunto, como o de autoria da senadora Ana Rita (PT-ES) que propõe o fim da pulverização aérea no Brasil.

Agência Estado

Fonte: Ruralbr

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