AVANÇO HISTÓRICO | PIB gaúcho decola turbinado pela soja

A colheita de grãos impulsionou a economia gaúcha no segundo trimestre deste ano e contagiou também outros setores, como a indústria e os serviços, deixando mais uma vez em evidência a dependência do Estado ao desempenho da soja
Das ótimas safras de soja e milho brotaram extraordinários números da economia gaúcha. O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul avançou 6,4% no segundo trimestre deste ano em relação ao igual período imediatamente anterior. O resultado é quase quatro vezes acima do desempenho brasileiro de 1,5% nos meses de abril a junho de 2013, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Quando comparado com o segundo trimestre do ano passado, período no qual o Estado desabou 5,3% por causa da seca, a alta chega a 15%, maior número da série histórica iniciada em 2003. Em 2013, o PIB do Rio Grande do Sul acumula expansão de 8,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Beneficiada pelas vendas ao agricultor, a indústria também colheu resultados e reverteu cinco trimestres seguidos de queda, conforme dados divulgados ontem pela Fundação de Economia e Estatística do Estado (FEE).
– O agronegócio puxou o desempenho dos demais setores, mas indústria e serviços também subiram em razão de uma dinâmica própria – analisou o economista da FEE Martinho Lazzari ao apresentar os dados.
Transporte, beneficiamento e armazenagem de soja costumam ocorrer de abril a junho, o que explica as atividades de indústrias e serviços que atendem ao campo. O setor de transporte, que inclui o frete, disparou 8,5% na comparação anual, enquanto a venda de máquinas e implementos subiu 11,5%.
Mas o grande destaque foi mesmo o campo. Antônio da Luz, economista da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), calcula que 11 pontos percentuais dos 15% do crescimento do PIB vieram da venda direta de grãos. Indústria e serviços tiveram peso menor: cerca de 1,5 e 2,5 pontos percentuais, respectivamente.
– O avanço foi bem sazonal, ocorreu em razão de uma queda muito forte no PIB no segundo trimestre de 2012. Os setores da indústria que não atendem ao campo continuam em dificuldade para recuperar mercado – afirma o economista da Farsul.
A força da agropecuária não se resume ao seu peso no PIB – pouco mais de 10% do total –, mas também ao complexo industrial que carrega consigo e que chega a representar 30% do PIB. Essa realidade, conforme especialistas, reforça a necessidade de governos estadual e federal desenvolverem políticas que devolvam competitividade à indústria e estimulem a irrigação.

ERIK FARINA

Multimídia

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