Avanço estrangeiro na área de nutrição animal

O mercado brasileiro de nutrição animal presenciou ontem o maior lance de seu processo de consolidação e desnacionalização. Líder global em vitaminas, o grupo holandês DSM fechou a aquisição, por € 465 milhões em dinheiro, da Tortuga, a maior companhia do segmento no país e a última grande empresa de capital nacional.

Fundada em 1954 pelo imigrante italiano Fabiano Fabiani, a Tortuga, com sede em Mairinque (SP), era a joia da coroa do mercado de suplementos minerais e ração para bovinos, que movimenta cerca de R$ 5 bilhões por ano. Com um faturamento de R$ 939,22 milhões em 2011, cerca de 1,2 mil funcionários e três fábricas, a Tortuga alçou a DSM à liderança global do mercado de nutrição animal para ruminantes.

Com o negócio, os holandeses, que já eram fortes em vitaminas e aminoácidos para aves e suínos, ampliaram a atuação com as operações de suplementos minerais, mercado no qual a Tortuga, que exporta para a América Latina, é uma das líderes mundiais. Os minerais são utilizados como complemento à alimentação dos bovinos nas pastagens, uma atividade marcadamente brasileira.

Vista como um movimento natural por especialistas do mercado, a venda da Tortuga consolida as multinacionais estrangeiras como líderes do ainda pulverizado mercado brasileiro de nutrição animal. São mais de 2,5 mil empresas, que produziram 66,9 milhões de toneladas de ração no ano passado, de acordo com o Sindirações, entidade que reúne as companhias do setor.

Apesar da pulverização, a Tortuga era a última grande empresa de capital nacional. Agora, o mercado de nutrição animal é dominado por quatro multinacionais: a própria DSM, a também holandesa Nutreco, a francesa Evialis e a americana Cargill. "Essa consolidação é um processo natural. O que se vê no mundo são quatro ou cinco grandes e no Brasil não seria diferente", afirma Ariovaldo Zani, vice-presidente executivo do Sindirações.

No caso da Tortuga, o processo se acelerou no início do ano com a morte de Max Fabiani, 39, único herdeiro da família. Hoje, a empresa é presidida por Creuza Fabiani, mãe de Max. "Como a empresa não tinha um plano sucessório definido e não tinha um nível de governança para viver sem o controle da família, a Tortuga se viu numa difícil posição", afirma um empresário do setor.

Diante do iminente desfecho, os holandeses aproveitaram a oportunidade. "A DSM sempre foi uma empresa muito especializada na nutrição de aves e suínos. Faltava alguma coisa. E nada melhor que adquirir uma das melhores empresas de nutrição para bovinos", avalia Zani.

No Brasil, o mercado total de alimentação animal movimenta R$ 16 bilhões por ano. A produção de ração para aves e suínos representa a maior parte desse faturamento. No ano passado, 71% do volume produzido ficou concentrado nesses dois segmentos. A pecuária responde por 16% desse total.

De acordo com fontes do setor, a Tortuga detém cerca 23% do mercado de ruminantes no Brasil. Depois dela, estão as paulistas Matsuda, com 12% de participação, e a Premix, com cerca de 6%. As duas empresas podem ser os próximos alvos das múltis. "O mercado vai se consolidar ainda mais", afirma uma fonte.

Uma das possíveis interessadas é a holandesa Nutreco. Em março, a companhia elevou sua participação de 51% para 97% na joint venture formada com a brasileira Fri-Ribe e anunciou que vai dobrar o faturamento com uma forte estratégia de aquisições. No mês seguinte, o movimento tomou forma justamente na área de suplementos minerais para ruminantes, com a aquisição da Bellman, sediada em Mirassol (SP). Atualmente, a Nutreco detém 5% desse mercado.

Além do segmento de ruminantes, a aquisição da Tortuga amplia a participação da DSM em aves, suínos, caprinos, equinos, ovinos e animais de companhia. A aquisição também inclui a área de saúde animal da Tortuga, que tem capacidade para produzir 9 milhões de unidades de fármacos por ano.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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