Avanço da digitalização exige estratégia de longo prazo

A transformação digital no agronegócio tem de ser encarada como uma jornada. "É preciso mapear os problemas, definir as prioridades e traçar uma estratégia que faça sentido para o negócio", aconselha Raul Guaragna, diretor de operações industriais da Tereos. Na empresa, a avaliação dos processos leva em conta a estrutura das unidades produtivas, a tecnologia disponível e os investimentos necessários para avançar na agricultura 4.0. Traçar um plano ajuda a identificar os pontos mais críticos e as possibilidades de ganhos. Entre os exemplos, ele cita o da conectividade. "Não é viável, nem necessário, captar informações em tempo real para tudo."

Como ativos tecnológicos a Tereos mantém drones, tratores conectados, colhedoras inteligentes, estações meteorológicas, entre outros. Para comunicação utiliza desde conexão direta entre as máquinas por proximidade – com tecnologias como a de bluetooth presente nos celulares – até satélites. A combinação tem permitido à empresa testar hipóteses de negócios e processos, comprovando a possibilidade de reduzir custos e ampliar a produtividade. "Os ganhos são relativos, dependem do processo e do nível tecnológico utilizado em cada unidade. Em alguns há um aumento de produtividade de 10%, em outros de mais de 100%", exemplifica Guaragna, sem fechar um número global para a operação.

Segundo ele, a lavoura de cana responde por 60% dos custos de produção e a agricultura digital é primordial para a empresa manter as margens das commodities que comercializa. A lavoura também está integrada ao processo industrial, o que aumenta a previsibilidade – e melhora a operação – em processos como o de logística e transformação industrial.

Pedro Rocha, gerente de produtos da Climate – divisão de agricultura digital da Bayer – lembra que muitos dados já estão disponíveis, em sensores embarcados nos equipamentos. Só precisam ser captados e transformados em informação útil para os negócios. Os planos da Climate incluem a criação de uma plataforma tecnológica para integrar dados e oferecer soluções que atendam a demanda dos produtores. A meta é garantir acesso à tecnologia, de forma simples. "O agricultor precisa ter na tela as informações necessárias para tomar suas decisões", comenta.

Para Rocha, há uma transformação em curso em toda a cadeia do agronegócio, com informações que serão utilizadas para criar serviços, reduzir riscos e beneficiar o produtor rural. "O maior desafio é gerar valor a partir dos dados colhidos no campo", conclui.

Por Ediane Tiago | De São Paulo

Fonte : Valor