Avançam negociações para a ampliação do Moderfrota

Regis Filho/Valor

Neri Geller: indústria se comprometeu a evitar elevar os preços das máquinas

O Ministério da Agricultura espera confirmar até a semana que vem com a equipe econômica do governo o montante que será disponibilizado para ampliar o orçamento inicialmente previsto para o Moderfrota no Plano Safra 2016/17. Com a forte reação das vendas de máquinas agrícolas no mercado doméstico desde o início da temporada, em julho, ficou claro para as fabricantes de tratores e colheitadeiras e para o próprio ministério que os R$ 5 bilhões reservados para o Moderfrota em todo o ciclo serão insuficientes.

Principal linha de crédito à disposição dos produtores rurais que querem modernizar suas frotas, o Moderfrota, se depender do ministério, contará com pelo menos mais R$ 2,5 bilhões até o fim da temporada, em junho. "As conversas com a equipe econômica estão bem encaminhadas", disse Neri Geller, secretário de Política Agrícola da Pasta, após reunião da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) na sede da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em São Paulo.

Nos primeiros quatro meses da atual temporada (julho a outubro), as contratações do Moderfrota, uma linha alimentada com recursos do BNDES e taxas de juros subsidiadas pelo Tesouro – 8,5% e 10,5% -, corresponderam a 58% dos R$ 5 bilhões originalmente programados. Sem a suplementação, estimam as empresas do segmento, até fevereiro a linha deverá estar zerada. "No ritmo atual, não é difícil que tenhamos de voltar a conversar [sobre uma nova suplementação] no início do ano que vem", afirmou Geller.

Como já informou o Valor, o Moderfrota não será inflado com dinheiro novo, mas com recursos previstos para outras linhas de crédito rural com demanda menor que a oferta. É o caso do Pronamp programa voltado à classe média rural que, aparentemente, foi superdimensionado no atual Plano Safra, costurado ainda no governo Dilma Rousseff pela então ministra Kátia Abreu.

Na reunião de ontem, Geller obteve o compromisso de que, no caso de a complementação do Moderfrota ser aprovada e a demanda por máquinas agrícolas de fato seguir em alta, as indústrias não aumentarão os preços dos tratores e colheitadeiras comercializados no país. "Estamos afinados com o governo", confirmou João Marchesan, presidente da Abimaq. "De 2013 para cá, os aumentos na indústria ficaram abaixo da inflação. E agora vamos acompanhar o comportamento dos preços nas revendas para tentar evitar que eles subam", afirmou o dirigente.

Conforme a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), no mês passado as vendas de máquinas agrícolas somaram 4.815 unidades no país, 28,4% mais que em outubro de 2015. De janeiro a outubro foram 35,2 mil unidades, ainda 13,2% menos que em igual período do ano passado.

Por Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor

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