Auster retoma plano para avançar no país

Silvia Costanti/Valor

Segundo Paulo Portilho, fundador da Auster, vendas já começaram a reagir

Depois de ver seu plano de expansão frustrado pela crise da avicultura, a Auster, empresa de nutrição animal sediada em Hortolândia (SP), voltou aos trilhos em 2018 e agora se prepara para retomar os investimentos orgânicos.

Ao Valor, o empresário e sócio-fundador da Auster, Paulo Portilho, admitiu as adversidades. "Foi o pior momento para a produção de carnes no Brasil na minha carreira de executivo", disse ele, que trabalhou anteriormente na BRNova e na Sloten – empresas que hoje integram a multinacional holandesa Trouw.

Nos últimos anos, a avicultura sofreu com a quebra da safra brasileira de milho e com as investigações da Operação Carne Fraca, que provocaram embargos comerciais. Nesse ambiente, a Auster chegou a registrar redução nas vendas. Em 2017, faturou R$ 144 milhões, 11% menos do que os R$ 162 milhões de 2016.

O baque foi tão grande que somente neste ano é que a empresa vai atingir a meta projetada para 2017. No início daquele ano, o empresário disse ao Valor que o faturamento atingiria R$ 220 milhões.

A companhia voltou a crescer de forma expressiva em 2018, com o faturamento totalizando R$ 188 milhões. Para este ano, Portilho está otimista. A expectativa dele é que a crise fique definitivamente para trás.

"Estamos muito animados. Se anualizarmos o faturamento do quarto trimestre, chega a R$ 230 milhões", afirmou, salientando o resultado positivo obtido com a ampliação da área comercial. Atualmente, a força de vendas (que inclui técnicos especializados em nutrição animal) conta com 40 funcionários, ante 18 há dois anos. O quadro total de trabalhadores da companhia é de 108.

Agora, a Auster precisará inclusive ampliar a área de armazenagem. "Estamos no limite da capacidade", disse o empresário. Segundo ele, a companhia está investindo R$ 5 milhões para expandir em 30% a capacidade de estocar matérias-primas e produtos acabados.

A área de produção, porém, ainda tem muita capacidade ociosa para ser ocupada, acrescentou Portilho, sem detalhar os volumes.

Na unidade de Hortolândia, inaugurada em 2014, a Auster produz itens como premix (pré-mistura de vitaminas e minerais usada na ração de aves e suínos), aditivos e enzimas.

Além disso, a companhia também conta com uma linha de "especialidades", que inclui produtos como lácteos voltados a alimentação de leitões. Do faturamento total da empresa, 40% é gerado nas vendas de premixes, 30% em aditivos e enzimas e outros 30% em especialidades.

Além do crescimento nas áreas nas quais a Auster já atua, Portilho segue prospectando alvos para diversificar a operação. O objetivo é ingressar no negócio de sal mineral para bovinos, deixando de atuar apenas nas áreas de aves e suínos.

A intenção de fazer uma aquisição não é nova, mas também atrasou. "Temos muita vontade, mas não achamos o par perfeito ainda", disse Portilho. Segundo ele, o mercado de sal mineral ainda é muito informal, o que dificulta a busca por ativos. "Continuamos olhando", reforçou.

No radar da Auster, estão negócios de sal mineral que faturem de R$ 70 milhões a R$ 100 milhões. O plano inicial era financiar a aquisição com a emissão de debêntures. Mas o empresário admitiu que a companhia ainda precisará crescer para captar recursos no mercado de dívida e financiar uma aquisição.

Na avaliação de Portilho, a Auster só conseguiria emitir títulos se tivesse um lucro antes de juros e impostos (Ebit) de R$ 40 milhões a R$ 60 milhões por ano – hoje é de R$ 20 milhões, segundo ele.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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