Auster quer ir às compras para avançar em bovinos

Silvia Costanti/Valor

Paulo Portilho, sócio-diretor da Auster, afirma que empresa mira produtoras de sal mineral da região Centro-Oeste

A Auster, empresa de nutrição animal sediada em Hortolândia (SP), está em busca de aquisições na área de bovinos. A companhia, que obtém cerca de 90% das vendas em produtos para aves e suínos, não quer ficar de fora do segmento que apresenta o maior potencial de crescimento para a indústria brasileira de ração animal.

"O mercado de bovinos é o próximo a ter um ciclo intenso de absorção de tecnologia", disse ao Valor o sócio-diretor da Auster, Paulo Portilho. Dono do maior rebanho comercial do mundo, com mais de 200 milhões de bovinos, o Brasil não trata sequer a metade do rebanho com pacote tecnológico – o que inclui ração, saúde animal e genética. Diferentemente do que ocorre em países como EUA e Austrália, concorrentes na exportação de carne bovina.

A aposta, consenso entre analistas e empresas do setor, é que essa situação se transformará ao longo dos próximos anos para que o Brasil possa abastecer a crescente demanda global, sobretudo na Ásia.

Para a Auster aproveitar o crescimento previsto e fornecer produtos – ingredientes que são misturados à ração – para bovinos, uma aquisição é fundamental, disse Portilho. "Hoje, não temos penetração", reconheceu. Segundo o empresário, a empresa precisa de uma equipe comercial especializada e maior proximidade com o Centro-Oeste, onde estão os maiores confinamentos (sistema intensivo de engorda).

"Estamos procurando empresas que gravitem em torno dos confinamentos para usá-las como canal de vendas", afirmou. Segundo ele, a Auster deseja ter uma fábrica de sal mineral para atender Centro-Oeste e também a região do Matopiba – confluência entre os Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Embora tenha ressaltado que o sucesso de uma eventual aquisição depende de fatores que não estão sob o controle da Auster – interesse vendedor e preço do ativo -, Portilho adiantou que a empresa tem um plano para financiar a compra: a Auster poderá se transformar em uma Sociedade Anônima (S/A) e emitir debêntures.

Mas enquanto não avança no setor de bovinos, a empresa busca crescer na área de aves e suínos. O empresário projeta que o faturamento da companhia crescerá 30% em 2017, atingindo cerca de R$ 210 milhões. No ano passado, a Auster faturou R$ 162 milhões. Segundo Portilho, as dificuldades enfrentadas em 2016 pelos criadores de aves e suínos, devido à alta dos preços do milho, serão superadas neste ano.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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