Aurora dá exemplo e emprega haitianos e indígenas

Na foto, Neivor Canton, dirigente da Aurora (Foto: Ernesto de Souza/ Editora Globo)

Olha que boa notícia. Que sirva de exemplo a outras empresas. A Aurora, cooperativa de alimentos de Chapecó, no próspero oeste de Santa Catarina, dá emprego para 290 haitianos e 420 indígenas. Os haitianos, como sabemos, chegam de um dos países mais pobres de todo o mundo e que ainda viveu uma tragédia climática avassaladora há poucos anos. “Os primeiros imigrantes chegaram na Aurora em 2010, vindos por conta e risco, fugindo da sucessão de tragédias climáticas (terremotos), econômicas (crise e falência do país) e políticas do Haiti (ditaduras e opressão). A excelente impressão que causaram em razão da disciplina, da vocação para o trabalho e da adaptação ao novo ambiente estimularam a Coopercentral a recrutar mais candidatos”, relata o gerente de recursos humanos da Aurora Nelson Paulo Rossi.

Para receber os futuros colaboradores, a Aurora envia uma missão de psicólogos, assistentes sociais e enfermeiras até Brasiléia, no Acre, porta de entrada dos haitianos, distante 3.750 quilômetros de Chapecó. Graças a ação coordenada pelo Ministério do Trabalho e Ministério da Justiça, eles ingressam em território brasileiro com todas as proteções legais: visto provisório por seis meses, cédula de identidade, CPF e carteira do trabalho. Após meio ano, a própria empresa encaminha a renovação do visto, o que ocorre automaticamente, a menos que o trabalhador tenha cometido alguma transgressão de natureza criminal, informa a Aurora.

Nas unidades industriais da Aurora, os haitianos assumem os postos de auxiliar de produção I, II e III. Além de salário compatível com a função, em torno de mil reais, a Aurora oferece nos primeiros seis meses todas as refeições, alojamento e assistência médica ambulatorial. A operação completa de integração leva 60 dias. O idioma é um obstáculo superável: a maioria fala francês, muitos também falam espanhol e, alguns, o inglês, me disseram os diretores da cooperativa.Já os indígenas que ocupam atividades laborais na Aurora são, em sua maioria, descendentes dos kaingangues das reservas localizadas no oeste catarinense e no noroeste sul-rio-grandense.

O vice-presidente da Aurora, Neivor Canton afirma que existem quase mil vagas nas linhas operacionais que os processos de recrutamento, seleção e admissão de brasileiros não conseguem suprir.

É o que eu digo. Quem, como eu, anda pelo país constata que dificilmente os jovens trabalhadores e talentosos ficam desempregados. Principalmente o campo, que se moderniza aceleradamente, oferece muitas vagas.

Os dirigentes da Aurora, meus velhos conhecidos, estão de parabéns.

Fonte: Globo Rural

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