AUMENTO SÓ CHEGOU A TRÊS PRODUTOS

Apenas três produtos agrícolas, entre as principais culturas do Estado, registraram aumento do preço pago ao produtor acima da inflação acumulada desde o início do Plano Real – que é de 354%. A conclusão é de um estudo elaborado pela Fecoagro, que analisou o comportamento dos preços em dez dos principais produtos agrícolas nos últimos 20 anos. O quilo do boi gordo, que estava cotado a R$ 0,69 e hoje custa R$ 4,10, teve a maior variação positiva.

Entre os grãos, a soja é o único a obter um preço acima da inflação. A lista inclui ainda o cordeiro. A cultura mais castigada pelo controle de preços foi o arroz. A saca de 50 kg, hoje, está cotada em R$ 34,91. Em valores corrigidos pela variação do IPCA, seu custo chegaria a R$ 46,93. Também ficaram abaixo da inflação os preços do leite, trigo, milho, feijão, suínos e sorgo.

Por outro lado, o custo de produção aumentou. De cinco itens pesquisados, apenas um – a ureia – não teve reajuste acima da inflação. O litro do óleo diesel registrou aumento de 492% desde 1994. Isso sem contar o aumento dos custos com energia, comunicações e habitação. ‘Isso demonstra que houve aumento de custo de produção e também do passivo existente do setor, que resultou em riscos traduzidos sobre os investimentos dadas as oscilações de preços no mercado’, explica o economista Tarcísio Minetto, superintendente da Fecoagro.

A defasagem de preços apontada pelo estudo impactou nos resultados ao final de cada safra, refletindo na lucratividade e, muitas vezes, deixando o produtor no prejuízo. Para Minetto, o cálculo demonstra que, embora a agropecuária tenha feito sua parte – não à toa, é considerada a ‘âncora’ do Plano Real -, não houve retorno após a conquista da estabilidade, tanto em termos de uma política de preços como em infraestrutura.

Os preços das commodities mantiveram-se mais aquecidos desde a crise de 2007. Um exemplo é a cotação da soja. ‘A grande dúvida é se esse patamar vai ser mantido. A tendência de retração preocupa o setor’, observa o superintendente da Fecoagro. ‘Não sabemos se teremos a volta de patamar de preços a um nível anterior a 2007, ou se os preços altos que chegaram com a crise vieram para ficar.’

Para o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, os primeiros anos do Real foram um período difícil, mas necessário. ‘Foi um dos momentos mais belos da nossa sociedade, porque mudou a vida do Brasil. Deixamos de ser uma republiqueta latino-americana e passamos a ser alguém importante no cenário mundial’, avalia. O que preocupa, segundo ele, é ver o governo ‘flertar’ com a inflação. Para este ano, a projeção do Banco Central é de uma taxa de 6,3%.

Fonte: Correio do Povo

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