Aumento do diesel eleva custos da lavoura no Estado em 0,5%

Combustível representa entre 10% e 15% das despesas com o cultivo da safra

Ana Esteves

O aumento do óleo diesel terá impacto importante nos custos de produção das safras de verão, já em processo de colheita no Estado, e de forma mais intensa nas culturas de inverno, especialmente o trigo. O aumento fixado em 5,4% nas refinarias fará com que a participação do combustível nos custos das lavouras passe de 10% para 10,5%, conforme levantamento da Fecoagro. “O incremento estimado por saca de soja será de R$ 0,13 a R$ 0,16”, informou o economista da entidade Tarcísio Minetto.
Dados divulgados pela Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) dão conta de que, com o incremento do combustível, o valor do custo de produção referente ao diesel, por hectare de soja, por exemplo, subirá de R$ 175,00 para R$ 182,00. “Levamos em conta os percentuais da Conab, que apontam que a participação do diesel na composição dos custos é de 15%, passando para 15,5% com o aumento. Então, serão R$ 7,00 de acréscimo para o produtor que gasta, em média, R$ 1,2 mil para plantar um hectare de soja”, explica o analista de mercado da OCB, Robson Mafioletti. Para o especialista, o impacto só não será maior pelo fato de os preços dos grãos estarem em alta, o que, de certa forma, fez com que o incremento do diesel caiba no bolso dos produtores. “O problema é manter esses valores em alta, principalmente com a entrada da safra argentina e norte-americana”, destacou.
O especialista explica que este valor refere-se apenas aos custos com abastecimento de maquinário para preparo do solo, plantio e colheita, sem levar em consideração os custos com frete. Conforme dados do Departamento de Custos Operacionais, Estudos Técnicos e Econômicos (Decope) da NTC&Logística, o frete terá incremento médio de 1,52%. Esse cálculo depende da carga, lotação e da operação, fatores que podem fazer com que a representatividade do combustível nos custos de produção varie de 15% a 50%. Por exemplo, em operações urbanas ou rotas curtas, o combustível pode representar entre 15 e 20%. Já em uma operação rodoviária, por exemplo, onde são utilizados veículos pesados que percorrem grandes distâncias, o peso do combustível pode subir para 40% ou mais. “O custo do frete de um caminhão pesado poderá sofrer um impacto de 0,53% quando o trajeto for de 50 km, 1,52% em um trajeto médio de 800 km e 1,70% quando o trajeto for muito longo”, disse o diretor-técnico da NTC&Logística, Neuto Reis.
O diesel mais caro soma-se a uma demanda maior por caminhões, já que, conforme dados da Conab, o Rio Grande do Sul deverá colher a segunda melhor safra da história, ficando apenas atrás do recorde de 28,8 milhões de toneladas do período 2010/2011. O quarto levantamento da companhia, divulgado na semana passada, aponta a produção de 27,26 milhões de toneladas de grãos no Estado, com grande destaque para a soja, que bateu recorde de área plantada, com 4,6 milhões de hectares, e pode ter a maior produção de todos os tempos do grão, de 12,2 milhões de toneladas. No levantamento de dezembro de 2012, a previsão era de uma colheita de 11,9 milhões de toneladas.
Outro grande problema apontado por produtores, indústrias e transportadoras tem relação com as novas restrições à jornada de trabalho dos caminhoneiros, que entraram em vigor em meados do ano passado, já após o pico do escoamento de grãos. “No setor todo, não só no agronegócio, estimamos a falta de 80 mil motoristas, pois vamos precisar de mais motoristas para o mesmo caminhão”, disse Reis. Segundo ele, para o transporte de cargas pesadas, como as do agronegócio, a Lei dos Caminhoneiros, sozinha, irá elevar em 28,92% os custos de operação das transportadoras.
O assessor de política agrícola da Fetag, Márcio Langer, disse que o aumento vai impactar todo o processo produtivo, desde a preparação do solo, plantio e colheita, e que os reflexos serão sentidos de forma mais contundente durante o inverno. “Nossa maior preocupação não é com o incremento de 4%, mas com a onda de aumentos que costumam ser sempre maiores do que os percentuais, tanto nos postos, que muitas vezes praticam preços abusivos, como nos fretes”, disse Langer. 
O analista de mercado e professor de economia da Unijuí Argemiro Luís Brum diz que o problema é que frente, ao aumento do diesel, outros setores recalculam suas margens algumas vezes de forma abusiva. “Os reflexos são generalizados, atingindo insumos, adubos, pesticidas, com impacto importante nos custos de produção”, diz o especialista.

Fonte: Jornal do Comércio

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