Aumento do consumo de arroz arbóreo abre novas possibilidades de mercado, segundo especialista

Para engenheiro do Instituto Riograndense do Arroz, efeito qualitativo do produto é uma de suas principais vantagens

O aumento do poder aquisitivo da população provocou o aumento do consumo de uma variedade de arroz ainda pouco produzida no Brasil. Originário da Itália, o arbóreo é utilizado em uma culinária refinada, principalmente para o preparo de risotos. Segundo o Instituto Riograndense do Arroz (Irga), a maior parte desta cultivar consumida no país é importada. E ainda não existem números sobre a produção nacional. Conforme o coordenador do Programa de Agroecologia do Irga, André Oliveira, este é um novo nicho de mercado.

– Como o efeito qualitativo é o principal fator que faz a busca do mercado para ele. A gente precisa ter um produtor caprichoso. Na realidade, nós precisamos ter um cuidado especial. São variedades não muito adaptadas à nossa condição de clima e solo e nós ainda temos um longo caminho para estabelecer no nosso programa de melhoramento genético a adaptação destas variedades à nossa condição no Estado – aponta.

O arroz arbóreo é mais encorpado que o comum, o agulhinha. Durante o preparo, ele libera uma quantidade maior de amido, o que dá consistência ao prato.

– A essência do risoto é o molho. Então, se tem um arroz com a capacidade de absorver este molho, ficar impregnado por este tempero, ele desempenha muito bem esta função. Por isso, então, a cozinha de qualidade procura o arbóreo. Você come um risoto com arbóreo e nunca mais vai comer o outro. Vai procurar o arbóreo – diz.
O produtor Jair Almeida da Silva conta que sua primeira lavoura de arroz arbóreo foi plantada em 1985. E afirma que, 27 anos depois, ele ainda é um dos poucos produtores do Rio Grande do Sul a investir na cultura. A produtividade média chega a quatro toneladas por hectare – pouco mais da metade do arroz convencional. Porém, acrescenta que o arbóreo tem maior valor agregado.

– O arroz comum sofre mais alterações. No ano passado, nós tivemos um preço ao redor de R$ 18,00, R$ 20,00. Esse ano, andamos em torno de R$ 26,00. Esse material mais ou menos se mantém. Ele, no passado, estava neste patamar de R$ 45,00, R$ 50,00 a saca. É o preço que se obtém por uma saca de arroz em casca dele – pontua.

A plantação fica em Pelotas, no sul do Estado. A área de 150 hectares deve dobrar de tamanho na próxima safra, para atender a crescente demanda.

– A grande dificuldade é a obtenção da semente em si, porque isso é um material que não é normal de produção. Não existe ninguém trabalhando. O próprio produtor vai ter que trabalhar o seu material, produzir a sua própria semente, multiplicar e procurar mantê-la dentro de um nível de qualidade para poder ter um produto de qualidade no final – complementa.

Fonte: Ruralbr | Cristiano Dalcin | Porto Alegre (RS) CANAL RURAL

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