Aumentam casos de raiva no RS

Transmitida por morcegos hematófagos, doença já causou a morte de 60 mil bovinos e equinos em menos de três anos

Em menos de três anos, 60 mil bovinos e equinos morreram de raiva no Estado em aproximadamente 60 municípios das regiões Centro-Sul e Metropolitana de Porto Alegre. A captura de 16 mil morcegos hematófagos em refúgios cadastrados pela Secretaria da Agricultura (Seapa) em 200 cidades evitou que os surtos regionais evoluíssem para o nível estadual como na década de 80. A estimativa do governo estadual considera dados desde a implementação do Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros em maio de 2011. Mesmo assim, neste ano, já são 169 focos descobertos no Estado, o maior número no período. Em 2012, foram 134. Segundo Nilton Rossato, coordenador do programa no Estado, a progressão de focos foi em refúgios desconhecidos do Núcleo de Controle da Raiva, da Seapa. O especialista insiste que os pecuaristas precisam fazer a sua parte, comunicar as cavernas nas propriedade, notificar animais atacados e vacinar e revacinar o gado. Apesar de ser barata, R$ 0,60 a dose, a vacina contra raiva tem baixa procura. Rossato reforça que a doença é letal, mata o animal em até cinco dias. Portanto, a melhor estratégia é a prevenção. ‘Como a vacina é opcional, o criador não faz. Vai fazer quando começam a morrer os animais do vizinho, mas aí pode ser tarde já que o período de incubação vai de 60 a 90 dias.’ Apesar de uma campanha educacional e de divulgação que absorveu R$ 300 mil nos últimos anos, a informação ainda custa a ser absorvida no campo. O pecuarista Flávio Koch, dono de 40 hectares em Sertão Santana, vacinou seus animais contra a raiva pela primeira vez somente em 2012. Confessa: sabia que a doença existia, mas só se deu conta do prejuízo que poderia causar quando o gado da vizinhança começou a adoecer e morrer. ‘Para que correr o risco, se o valor é tão baixo, hoje meus animais estão seguros’, diz ele. O susto de agricultores como Koch e o prejuízo dos que perderam dinheiro com a morte dos animais ajudou a elevar a aplicação da vacina nos últimos dois anos. Por isso, Rossato acredita que, em 2014, haverá uma maior imunidade do rebanho. Ainda assim, como há atividade viral, o Estado mantém a indicação de vacinação e revacinação no caso dos primovascinados, que devem receber a segunda dose 20 dias após a primeira. ‘A despeito de todas as dificuldades de vigilância a campo, a raiva está sob controle no Estado. Temos apenas três focos ativos em Candiota, Mariana Pimentel e na divisa de Caçapava e São Sepé.’

O Combate

Cada morcego capturado é besuntado com uma pomada. Devolvido ao refúgio, ele contamina outros, o que diminui a colônia. O cálculo é que cada morcego infecte e cause a eliminação de outros 20.

Não existe transmissão de animal para animal. Bovinos e cavalos são atingidos somente pela agressão do morcego, vetor do vírus rábico.

Apenas o diagnóstico laboratorial confirma a doença já que ela pode ser confundida com até 30 enfermidades.

O controle dos morcegos inclui a caça nos refúgios e o controle e vistoria num raio de até 20 quilômetros.

Fonte: Correio do Povo

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