Aumenta a produção na Argentina

Diego Giudice/Bloomberg News / Diego Giudice/Bloomberg News
Produção de carne bovina em La Matanza, na Argentina: o mercado doméstico impulsionou a produção do país em 2012 depois de três anos de retrações

A produção de carne bovina na Argentina voltou a crescer em 2012 movida pelo mercado interno, após três anos de retração e diante da expectativa de que este seja o pior ano para as exportações desde 2001. Segundo dados da Ciccra, entidade patronal da pecuária de corte do país, entre janeiro e outubro deste ano a produção foi de 2,14 milhões de toneladas, um aumento de 3,4% em relação às 2,07 milhões no mesmo intervalo do ano passado. Mas as exportações no período recuaram 28,6%, de 214 mil para 153 mil toneladas.

A queda das exportações está sendo menos expressiva em valor do que em volume, já que cresceu o peso relativo de produtos com maior valor agregado, como as carnes processadas e as encomendas da Cota Hilton para a União Europeia. Do total faturado de US$ 1,03 bilhão nos dez primeiros meses de 2011, as exportações representaram US$ 830 milhões, um recuo de 8%.

Com esse resultado, consolida-se a decadência da atividade exportadora de carne como fonte de renda da pecuária bovina. Um quadro oposto, por sinal, ao que ocorre em relação à atividade leiteira. A produção de leite no país caiu 4,29% entre janeiro e setembro, segundo relatório divulgado no mês passado pela Fundação Mediterrânea. Porém, as exportações do segmento, sobretudo de leite em pó, cresceram 9,5% em 2012. De acordo com o relatório da fundação, foram 179,8 mil toneladas de produtos lácteos exportados de janeiro a setembro, por US$ 1,082 bilhão, o que suplanta com folga o resultado obtido pelos produtos de carne.

O direcionamento da produção de carne na Argentina para o mercado interno elevou ligeiramente o consumo doméstico per capita do produto, que atingiu este ano 58 quilos por habitante. São três quilos acima do registrado no ano passado, mas quatro a menos do que a média dos últimos 11 anos.

A crise da atividade pecuária na Argentina agravou-se a partir de 2006, quando o governo passou a restringir as exportações de maneira a controlar o preço do produto no mercado interno. A resposta dos pecuaristas foi promover uma brusca queda do estoque do rebanho, que só começou a ser revertida este ano com um crescimento de 4%, atingindo 49,9 milhões de cabeças em março de 2012.

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Fonte: Valor | Por César Felício dos Santos | De Buenos Aires

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