Auditores farão avaliação final para retirada da vacina contra aftosa no Rio Grande do Sul

Os auditores do Ministério da Agricultura (Mapa) começam nesta terça-feira a avaliar o cumprimento, por parte do governo gaúcho, dos 18 itens que o Rio Grande do Sul precisaria melhorar para que possa retirar a vacina contra febre aftosa em 2021. Também nesta terça-feira avança uma das etapas necessárias: a contratação de mais 150 auxiliares administrativos para reforçar o trabalho nas inspetorias veterinárias em 125 municípios. De acordo com a diretora do Departamento de Defesa Agropecuária (DDA) da Secretaria da Agricultura, Rosane Collares, para atender as 18 recomendações do Mapa, na verdade, o Rio Grande do Sul precisou executar um conjunto de mais de 70 medidas. O processo, assegura, está bem encaminhado e a perspectiva é de que essa análise final seja rápida.

"Inicialmente, teremos encontros virtuais com as equipes do ministério no Estado e em Brasília.

Posteriormente, eles podem ainda fazer visitas presenciais em algumas inspetorias no Interior, onde a bandeira de isolamento social seja laranja", explica Rosane.

Um dos maiores investimentos já feitos para mudar o status sanitário foi na aquisição de 72 novas caminhonetes, com um aporte total de R$ 5,292 milhões, o equivalente a R$ 73,5 mil por unidade, compradas da fábrica da Renault no Paraná. Outros 28 veículos ainda devem ser adquiridos com recursos da União. "O mais difícil já foi feito: a liberação dos valores pelo Estado. Solicitamos à Renault urgência na entrega e a montadora está organizando um cronograma de envio. E estamos aguardando o restante dos valores a serem liberados pelo governo federal", detalha a diretora do DDA.

Para o reforço de pessoal, com a contratação dos 150 auxiliares administrativos terceirizados, o Estado tem uma previsão de investimento de R$ 591 mil mensais (cerca de R$ 7 milhões em 12 meses). Nesta terça-feira, de acordo com a Central de Licitações (Celic), vinculada à Secretaria de Planejamento, deverão ser apresentadas as propostas de empresas interessadas em fazer a contratação e gestão desses novos terceirizados.

Os auxiliares farão o atendimento ao público nas inspetorias de defesa agropecuária, contribuindo na emissão de documentos, atualizações cadastrais, encaminhamentos administrativos, planilhamento e organização documental em geral. A ideia é liberar das tarefas burocráticas os servidores capacitados a realizarem fiscalizações sanitária e outras atividade de campo.

De acordo com o secretário de Agricultura, Covatti Filho, a retirada da vacinação contra a febre aftosa no Rio Grande do Sul poderá representar uma economia de R$ 214 milhões ao ano para os produtores, levando-se em conta os custos das doses, a logística de distribuição, mão de obra e a perda de peso dos animais por reação à vacina. Além da economia, Covatti destaca o aumento no potencial de novos negócios com a retirada da vacina, já que o novo status sanitário, caso aprovado pela Organização Mundial para a Saúde Animal (OIE), poderá ampliar as exportações gaúchas de carne a mercados que não compras de locais com vacinação. Covatti afirma que é possível que as indústrias locais recebam investimentos totais de até R$ 13 bilhões em novas plantas frigoríficas. Somente na cadeia de suínos, diz o secretário, a estimativa é de que haja um acréscimo de R$ 600 milhões ao ano nas exportações.

Na última etapa de vacinação, antecipada para março, 97,06% do rebanho gaúcho foi imunizado. Caso o Rio Grande do Sul consiga a evolução do status sanitário, esta terá sido a última campanha de vacinação no Estado.

Fonte: Jornal do Comércio

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