Atual CFO da Fibria deverá liderar o IPO da JBS nos EUA

Chris Goodney/Bloomberg

JBS já fechou acordo para contratar Guilherme Cavalcanti, atual CFO da Fibria

Em busca de um diretor financeiro para liderar a abertura de capital de parte de seus negócios na bolsa de Nova York, a JBS fechou acordo para contratar o executivo Guilherme Cavalcanti, atual CFO da Fibria, disseram duas fontes a par do assunto ao Valor. A JBS é a maior empresa privada não financeira do país, com vendas anuais superiores a R$ 160 bilhões. Apenas para efeito de comparação, a receita da Fibria foi de R$ 11,7 bilhões no ano passado.

O executivo só deverá assumir o cargo depois da conclusão da fusão da Fibria com a Suzano Papel e Celulose, prevista para ocorrer entre o fim deste ano e o início de 2019. Procuradas pela reportagem, JBS e Fibria não comentaram. Cavalcanti também não quis comentar. Na semana passada, o jornalista Lauro Jardim, de "O Globo", revelou que Cavalcanti negociava com a JBS.

Segundo uma fonte que acompanhou o processo de recrutamento, Cavalcanti teria despertado a atenção da JBS durante as negociações realizadas no ano passado para uma possível compra da Eldorado Brasil pela Fibria. Assim como a JBS, a Eldorado é controlada pela J&F Investimentos, holding da família Batista.

Cavalcanti chegou à diretoria de Finanças e Relações com Investidores da Fibria em fevereiro de 2012, pouco mais de dois anos após a constituição da empresa a partir da fusão entre Aracruz e Votorantim Celulose e Papel, e conduziu um exitoso processo de desalavancagem financeira da companhia, que estava em 4,8 vezes (dívida líquida/Ebitda) no fim de 2011.

Até o fim de 2015, a Fibria havia reconquistado a nota "grau de investimento" nas três grandes agências de classificação de risco – Fitch, Moody’s e Standard & Poor’s – e o índice de alavancagem caiu a cerca de 2 vezes, o que a habilitou a lançar o projeto de expansão da unidade de Três Lagoas (MS), com investimentos de R$ 7,3 bilhões. Mesmo com o investimento, já concluído, a dívida da Fibria se manteve sob controle e, hoje, a alavancagem é a mais baixa da história – 1,3 vez em reais e 1,1 vez em dólar.

Cavalcanti é formado em Economia, com mestrado também em Economia, pela PUC do Rio de Janeiro. Antes de chegar à produtora de celulose, esteve por sete anos na Vale, onde ocupou o cargo de diretor financeiro e de relações com investidores. O executivo teve passagens pelas Organizações Globo e pelos bancos BTG-Pactual e Banif/Primus.

Quando assumir a JBS, Cavalcanti terá pela frente o desafio de resgatar o projeto de abertura do capital da JBS Foods International – subsidiária com sede na Holanda que responde por 80% do faturamento da JBS – na bolsa de Nova York. O projeto, gestado em 2016, foi engavetado após a delação premiada dos Batista vir à tona. Para que tenha êxito desta vez, a JBS ainda terá de superar obstáculos, como um acordo com o Departamento de Justiça dos EUA (DoJ).

Financeiramente, a situação da JBS melhorou bastante desde que a delação premiada dos Batista levou os bancos no Brasil a exigirem mais garantias e amortizações da dívida de curto prazo da companhia. Neste ano, a JBS fechou um acordo de rolagem da dívida no Brasil por três anos. Em meio aos avanços da gestão da dívida e favorecida pela forte geração de caixa das operações nos EUA, a JBS teve o rating elevado neste mês pelas agências de classificação de risco S&P e Fitch.

Conforme o último balanço trimestral da JBS, divulgado em agosto, o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado) da JBS atingiu 3,47 vezes no fim de junho. No mesmo período do ano passado, esse índice estava em 4,16 vezes.

Em 30 de junho, a dívida bruta da companhia de carnes alcançava R$ 62,5 bilhões. No período, a dívida de curto prazo (que vence em até um ano) somava R$ 4,2 bilhões, ou apenas 7% do endividamento total. No fim do primeiro semestre, a JBS contava uma liquidez total de R$ 20,2 bilhões (considerando recursos em caixa e linhas de crédito rotativo).

O objetivo já declarado pela JBS é continuar a reduzir seus índices de endividamento. O executivo-chefe de operações da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou em agosto a analistas que a empresa pretende encerrar 2018 com o índice de alavancagem próximo de 3 vezes. Para 2019, a intenção da JBS é reduzir o nível para "ao redor" de 2 vezes.

Por Luiz Henrique Mendes e Stella Fontes | De São Paulo

Fonte: Valor