Atraso que afeta o campo

Somente nesta safra, R$ 60 milhões deixaram de circular em função do represamento de pedidos de licenças ambientais em órgãos do Estado<br /><b>Crédito: </b> andré paglioli / divulgação / cp

Somente nesta safra, R$ 60 milhões deixaram de circular em função do represamento de pedidos de licenças ambientais em órgãos do Estado
Crédito: andré paglioli / divulgação / cp

Cerca de R$ 60 milhões deixaram de circular na economia gaúcha, nesta safra, pela demora na liberação de licenças ambientais para instalação de sistemas de irrigação. O valor considera o que deixou de ser investido na compra e instalação dos equipamentos – em média R$ 7 mil/ha -, além da renda com a venda 966 mil sacas de milho a R$ 27 cada em 4,2 mil hectares. Esta é a área que aguarda avaliação dos órgãos estaduais há pelo menos um ano, conforme cálculo das empresas Ibirubá Florestal, de Ibirubá, e Geoserviços, de Cruz Alta, detentoras de metade deste mercado. "Se contar os processos com menos de um ano, a área dobra", relata Nelson Nicolodi, responsável técnico da Ibirubá, que tem 2 mil ha na fila do Departamento de Recursos Hídricos da Secretaria do Meio Ambiente (DRH/Sema). O consultor de Meio Ambiente da Farsul, Ivo Lessa, vai além: projeta 40 mil ha na mesma situação. Quem tem procurado o departamento nas últimas semanas se queixa que as coisas pioraram, após o incêndio no prédio da Sema e Fepam em março. Nicolodi relata que trâmites rotineiros, como a emissão do documento no sistema, tem levado até 45 dias.
O diretor do DRH/Sema, Marco Mendonça, afirma que o trabalho segue normalmente. E está otimista com o futuro. Com o número de servidores mais que triplicado na última semana, chegando a 29 técnicos após contratação emergencial de 21 pessoas, ele garante que o passivo de 10 mil processos será zerado até dezembro. Deste total, 4 mil peças aguardam avaliação e 6 mil podem ser arquivadas em função de problemas na documentação. Para isso, seriam implantados sistemas eficientes de triagem e de emissão eletrônica de portaria de outorga nos próximos meses. O quadro revitalizado também deve garantir a criação de duas equipes de fiscalização, algo inédito no departamento. "Houve falta de investimento crônica nos últimos anos."
O professor de Engenharia Rural da UFSM, Reimar Carlesso, acredita que a redução no tempo de espera ampliaria em 65% o avanço anual de área irrigada no Estado, chegando a 20 mil ha/ano. "Em muitos casos, pode demorar mais de 18 meses e, antes da aprovação, o produtor não pode adquirir o sistema ou mesmo ingressar com solicitação de financiamento, o que leva muitos a desistirem." Hoje, conforme ele, o Rio Grande do Sul irriga 75 mil ha por pivô central e mais 20 mil ha por aspersão.

Fonte: Correio do Povo

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