Ativos da Copacafé serão leiloados

A Comarca de Perdões (MG) deferiu semana passada o pedido da Cooperativa dos Pecuaristas, Agricultores e Cafeicultores de Minas Gerais (Copacafé), com sede em Perdões, para sua liquidação judicial. O pedido havia sido protocolado em dezembro do ano passado pela cooperativa, que já estava em liquidação extrajudicial desde agosto de 2013. Com filiais em seis municípios mineiros, a Copacafé tem dívidas que somam cerca de R$ 15 milhões, relativas a desvios de café e débitos com fornecedores de insumos.

Pedro Junqueira Ferraz, que presidiu a comissão provisória que administrou a Copacafé de janeiro a agosto de 2013 e era integrante da comissão liquidante criada posteriormente, disse que a decisão de delegar à Comarca de Perdões o processo de venda dos bens da Copacafé foi tomada devido à falta de autorização da Justiça para que a cooperativa fizesse a venda dos ativos. Os pedidos de autorização para a venda dos ativos haviam sido enviados pela Copacafé, em fevereiro de 2014, aos juízes das comarcas nos municípios das filiais da cooperativa.

Segundo o advogado Sérgio Castanheira, que foi nomeado quarta-feira passada liquidante da cooperativa, os débitos tributários e penhoras impediam a venda direta dos imóveis pela Copacafé, sendo necessário o aval da Justiça.

A maior parte dos bens da Copacafé são galpões para armazenar café (12), que não recebem o produto desde janeiro de 2013, conforme Ferraz. Há ainda escritórios e maquinários. O valor total dos bens é avaliado em R$ 33 milhões.

Os recursos obtidos com a venda dos bens da Copacafé serão usados para pagar os credores, em sua maior parte, cafeicultores que não receberam pelo café depositado na cooperativa e cujas sacas "desapareceram". A diretoria que estava à frente da Copacafé até o início de 2013 é acusada de fraudes e desvios de 28 mil sacas de café que estavam depositadas na cooperativa. Também há acusações de desvios de leite, extravio de documentos, apropriação indébita previdenciária (não repasse para a União de INSS retido de cooperados e funcionários) e notas frias.

O advogado Sérgio Castanheira deverá apresentar um inventário dos bens e as dívidas dos credores. Esses dados devem ser publicados no Diário Oficial do Estado de Minas Gerais em cerca de duas semanas, segundo ele. Se não houver impugnação, será autorizada a venda dos imóveis por meio de leilões, afirma Sérgio Luiz Maia, juiz de direito da Comarca de Perdões. Maia acredita que depois de autorizados os leilões, em cerca de 60 a 90 dias, o processo de venda deve ser finalizado. Castanheira estima que neste semestre ocorra a venda de todos os bens ou da maioria deles para dar início ao pagamento dos credores.

A Copacafé tinha 4 mil cooperados, incluindo produtores de café e os de leite ligados à Copacafé-Leite, braço de lácteos criado em 2010. Entre 200 a 250 cooperados foram prejudicados pelo desvio de produtos. Em janeiro do ano passado, a maior parte dos 180 empregados foi dispensada. Apenas de oito a dez funcionários foram mantidos para ajudar a preservar os bens da cooperativa, segundo Ferraz.

Tiago Veiga Ludwig, delegado da Polícia Civil de Perdões, disse que encaminhou ofício para a Copacafé em dezembro de 2014 pedindo mais alguns documentos para refazer o laudo pericial, parcialmente concluído, para o inquérito policial instalado sobre as fraudes na cooperativa. Na realidade, existem vários inquéritos abertos pelos cooperados prejudicados contra o ex-diretor comercial e ex-vice-presidente Flávio Castello Branco. Esses inquéritos podem ser encaminhados conjuntamente à Justiça.

Em outubro de 2012, Castello Branco foi abordado pela polícia, em Lavras (MG), pela apropriação indébita de café. Em maio de 2014, ele foi preso pelo desvio de dois caminhões de café, mas obteve liberdade após pagar fiança de R$ 124 mil. Além de Castello Branco, as denúncias recaem também sobre o ex-presidente Rubens Pinto Rosa. Em 2013, Pinto Rosa disse ao Valor que a crise se instalou na cooperativa após a compra de indústria de lácteos, por aproximadamente R$ 2 milhões.

Em 2013, cogitou-se a possibilidade de a Copacafé ser adquirida por outra cooperativa. Segundo fontes do mercado, houve negociações com duas cooperativas que iriam "absorver" a Copacafé e assumir suas dívidas. Mas nenhuma negociação se concretizou.

Fonte: Valor | Por Carine Ferreira

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