Atividades com risco ambiental crescem no Estado

MARCELO G. RIBEIRO/JC

Clitia divulga pesquia que mostra riscos ambientais no Estado

Clitia divulga pesquia que mostra riscos ambientais no Estado

A Fundação de Economia e Estatística (FEE) voltou a publicar três indicadores que permitem uma análise do potencial poluidor das indústrias instaladas no Rio Grande do Sul. Os dados, que haviam sido divulgados pela última vez em 2006, recuperam a série histórica e mostram que, entre 2002 e 2009, a indústria gaúcha aumentou sua dependência de atividades consideradas de alto risco de contaminação ambiental.
Ao enfocar o risco, a pesquisa salienta que a indústria gaúcha vem se caracterizando por um perfil de concentração em atividades com alto potencial poluidor (uma tendência de especialização verificada em outras economias emergentes). No Estado, a FEE diz que isso se traduz pela consolidação de complexos agroindustrial, metalmecânico e químico. Os municípios onde o potencial poluidor é mais crítico, excetuando Porto Alegre, apresentam percentual igual ou superior a 30% de participação da indústria na sua economia.
Clitia Martins, coordenadora do Núcleo de Indicadores Sociais e Ambientais da FEE, que coordenou o estudo, ressalta que todas as medições são feitas com base no potencial de geração de poluentes de cada atividade e não considera as tecnologias de controle adotadas pelas empresas ou a poluição efetivamente lançada à natureza. Com base nas informações, a FEE calculou o Índice de Dependência das Atividades Potencialmente Poluidoras (Indapp-I, um índice relativo, que dá a dimensão do risco) e o Índice de Potencial Poluidor da Indústria (Inpp-I, que informa a concentração da produção industrial em cada município).
A revisão metodológica fez com que fossem recalculados os indicadores desde 2002. Os resultados mostraram que o VAB da indústria extrativa e de transformação com alto potencial poluidor no Estado era de 68,1% em 2002. A participação da produção de alto potencial de contaminação no VAB do Estado teve seu pico em 2008, quando alcançou 74,8% e, no ano seguinte (o último da série calculada pela FEE) teve uma pequena queda, ficando em 73,2%.
Já o Indapp-I, que em 2002 foi de 0,8252, apresentou flutuações e ficou, em 2009, em 0,8507, o que, segundo a pesquisadora, mostra que o risco se elevou. Ao detalhar o comportamento do outro índice, o Inpp-I, ela afirmou que os três primeiros anos da série (2002 a 2004) foram de elevação, explicada pelo aumento do VAB industrial e pela elevação do Indapp-I. O Índice de Potencial Poluidor da Indústria, que em 2002 era de 88,2870, chegou a 96,1575 em 2004. “No período seguinte, entrou em declínio gradual, em 2006 o Inpp-I ficou em 89,3198. Essa queda resulta não de uma redução do risco, pois ele aumentou durante o período, mas da função do decréscimo da produção.” O valor máximo encontrado pela FEE para o indicador foi em 2008, 97,858. No ano seguinte, uma nova queda no volume da produção industrial foi refletida na retração do índice para 87,7393.
A pesquisadora salientou, ainda, que nesses oito anos analisados, a listagem dos 20 municípios com potencial poluidor crítico permaneceu praticamente inalterada. Em 2009, a lista foi encabeçada por Canoas e inclui, em ordem decrescente, Triunfo, Caxias do Sul, Gravataí, Porto Alegre, Rio Grande, Santa Cruz do Sul, Guaíba, Bento Gonçalves, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul, Erechim, Montenegro, Passo Fundo, Cachoeirinha, Venâncio Aires, Marau, Lajeado e Garibaldi. Essas cidades concentram cerca de 40% da população gaúcha.

Fonte: Jornal do Comércio | Clarisse de Freitas

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