Asfaltada, estrada da soja derruba valor do frete

Anunciada, na semana passada, pelo presidente Jair Bolsonaro, a conclusão do asfaltamento da BR-163 – a chamada "Estrada da Soja" – já teve impacto no preço do frete para transporte de grãos de Mato Grosso. O motivo é que a obra de pavimentação até o porto de Miritituba (PA), no rio Tapajós, foi inalizada há dois meses e meio, mais exatamente em 27 de novembro do ano passado.

A obra começou a ser tocada em 1974, parte do cardápio de grandes projetos de infraestrutura do regime militar. A BR-163, com 3,5 mil quilômetros, é uma das principais vias a cortar o País de forma longitudinal. Tem uma ponta em Tenente Portela (RS) e outra em Santarém (PA).

Por atravessar a principal região produtora de soja do País, em Mato Grosso, tornou-se estratégica para o escoamento da safra voltada à exportação. Com ajuda do Exército, o governo Bolsonaro asfaltou os últimos 51 quilômetros que faltavam para chegar ao porto de Miritituba. Na época das chuvas, caminhões podiam icar dias atolados no pequeno trecho de terra. A atual colheita, que começou no inal do ano, é a primeira a ocorrer com o asfaltamento completo.

Segundo estimativas da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), o preço do frete já caiu até R$ 4,00 por saca de soja com a nova estrada.

Com cotação média de R$ 70,00 a saca em Sorriso (MT), principal polo produtor do País, a redução equivale a cerca de 5,7%.

"A gente conseguiu concluir um sonho de muitos anos. Cheguei em Mato Grosso em 1986, e, naquela época, já diziam que a obra ia ser concluída logo", airma o presidente da Aprosoja-MT, Antonio Galvan. A soja do Centro-Oeste, hoje, tem várias rotas de escoamento.

Para o sul, segue por via rodoviária em direção aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).

Rumo ao norte, é transportada até portos no rio Tapajós ou via Porto Velho (RO), onde é embarcada para continuar a viagem pelo rio Madeira. De lá, os grãos seguem, sobretudo, para mercados consumidores na Ásia. Segundo Galvan, o percentual da produção da soja mato-grossense que utiliza o porto de Miritituba (PA) deve subir de 18% para 25% até o inal deste ano. Ou seja, hoje, menos de um quinto da soja é escoada por esse caminho, e, em breve, a fatia deverá chegar a um quarto. A viagem de caminhão com a estrada totalmente asfaltada até Miritituba leva cerca de 36 horas.

"Antes, em razão das chuvas, o tempo gasto era imprevisível.

Agora, o caminhoneiro pode programar sua atividade", declara Galvan. A pavimentação anunciada por Bolsonaro é considerada muito importante pelos produtores de soja, mas não signiica o asfaltamento completo da BR-163. O trecho inal de estrada entre Miritituba e Santarém (PA), outro porto no Tapajós bastante utilizado pelos sojicultores, ainda tem 57 quilômetros sem pavimentação.

O Ministério da Infraestrutura não deu prazo para a conclusão desse trecho. A expectativa de produtores é que a pavimentação ique pronta até o inal do ano. A obra vem sendo saudada por Bolsonaro também por ter sido feita com mão de obra do Exército, a partir de um convênio com o 8º Batalhão de Engenharia de Construção. O valor total da pavimentação é de R$ 445 milhões.

Um provável efeito colateral da conclusão da obra é o aumento da pressão sobre os portos do Tapajós. Segundo estimativa da Companhia Docas do Pará, espera- se um aumento de 25% no luxo de carga em 2020 em Santarém e Miritituba. Os dois portos, no entanto, estão próximos do limite.

Em 2019, o porto de Santarém movimentou 12 milhões de toneladas. No de Miritituba, esse cálculo não está disponível, porque o local reúne diversos terminais privados sem contabilidade centralizada. Também deve haver impacto no turismo da região amazônica. A pavimentação da BR-163 dará uma alternativa terrestre para se chegar a locais como o distrito de Alter do Chão, em Santarém, que vem se tornando popular.

Fonte: Jornal do Comércio

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