As exportações dependem cada vez mais dos básico (Editorial)

No primeiro trimestre a balança comercial, com US$ 2,440 bilhões, apresentou uma redução de 22,4% em relação ao mesmo período de 2011. As exportações, levando em conta a média por dia útil,cresceram 5,8%, enquanto as importações aumentaram 7,7%.

Esse resultado do trimestre confirma um quadro que se podia prever: o Brasil aumenta suas exportações, mas aumenta mais as importações.Isso é resultado, de um lado, de uma demanda mundial consistente de produtos básicos – US$ 24,548 bilhões, com crescimento de 5,9%; e, de outro, de um ligeiro progresso das exportações de manufaturados.Esses produtos, porém, no valor de US$ 21,5 bilhões, apresentaram aumento de 6%, enquanto os semimanufaturados, com US$ 7,6 bilhões, tiveram aumento de 2,3%.

A China continua a ser nosso melhor cliente, com US$ 7,8 bilhões – um aumento de 8,8% -, mas os Estados Unidos voltam a ter um papel importante: suas compras de produtos brasileiros somaram US$ 6,9 bilhões e acusaram aumento de 38,8%, que reflete a melhoria da economia americana. No entanto, nos dois casos, o que predomina em nossas vendas aos dois países são produtos básicos, petróleo e soja em grão, que tiveram forte aumento de preços no trimestre. É significativo, também, que nossas exportações para a União Europeia,apesar da crise, diminuíram apenas 2%, sustentadas pela compra de produtos básicos nos países europeus. Isso mostra que mais do que nunca o Brasil depende, para suas receitas no comércio exterior, de produtos básicos, com valor adicionado muito baixo.

A análise das importações nos fornece um quadro complementar da fraqueza de nossa indústria. As importações de bens de capital, no trimestre, em relação ao mesmo período de 2011, acusaram aumento de 5,9%, mas em março, em relação ao mês anterior, registra-se queda de 9,9%. Isso mostra o desinteresse das nossas empresa sem investir, especialmente antes de conhecer os novos incentivos do governo. Os bens de consumo, no trimestre, representam 8,4% das importações, mas os duráveis, 10,4%. E as matérias-primas e os bens intermediários, que representam 44,2% das importações, num período de baixa produção industrial, aumentaram 4,2%.

O Brasil, que se tornou um grande produtor de petróleo, ampliou suas importações de combustíveis em 15,7%, o que indica o erro de deixar de realizar investimentos em refinarias, levando atualmente os derivados a pesar muito em nossos gastos de importação.

Fonte:  Estadão

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