As duas realidades do arroz

Quatrocentos quilômetros separam as propriedades dos produtores de arroz João Serafin e Ramiro de Toledo, e os dois enfrentam realidades bem distintas. Parte da lavoura de Serafin, em Bagé, na Campanha, corrobora a estimativa da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) de quebra de 11% na safra deste ano. Já em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, Toledo está com a barragem cheia, e a produtividade de 9,6 toneladas por hectare, garantida.

O levantamento da Farsul tem como base a realidade investigada pelos 137 sindicatos rurais associados à entidade. Os dados indicam uma perda bruta de R$ 500 milhões na cultura. Segundo Antônio da Luz, economista da entidade, os problemas estão concentrados na Campanha e no Centro. Serafin, o produtor de Bagé, plantou 380 hectares e vai abandonar 130 deles, por falta de água para irrigação.

Na safra passada, Bagé, Hulha Negra, Aceguá e Candiota tiveram produtividade de 8,46 toneladas por hectare. Neste ano, não deve chegar a oito, afirma o chefe do escritório do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), Ronaldo Goettems. Já prevendo problemas hídricos, a região plantou em uma área 38% menor do que a da safra anterior e, no que já foi plantado, Goettems estima uma perda de pelo menos 10%.

Privilegiada por uma bacia hidrográfica bem localizada, a Fronteira Oeste vive situação oposta. Na propriedade de Toledo, foram plantados 122 hectares, e a chuva tem sido suficiente para garantir a produção. Assessor técnico da presidência do Irga, André Luiz Oliveira descarta a possibilidade de desabastecimento de arroz.

Fonte : Zero Hora

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