ARTIGOS | RELIGIÃO SEM DEUS, Por Paulo Brossard*

As divergências internas eram tais e de tal relevância que os anos se passaram e elas foram mantidas, senão aprofundadas, ao ponto de, em 1961, o muro de Berlim dividir Alemanha em duas, coisa inconcebível no século 20, até que o muro veio a ser posto abaixo.
Esses dados, que são de ontem, evidenciam seus desequilíbrios ou contradições. Alguns países continuavam tradicionais em sua fidelidade democrática, outros ostentavam as cores vermelhas do radicalismo. O resultado foi a Alemanha posterior à esquizofrenia nazista retornando às bases da República de Weimar, enquanto a Oriental, que se autoprotegia com o muro, afastava-se de tradições ocidentais; o resultado entre ambas, em todos os sentidos, a começar pelo econômico e social, divergir a ponto de a Oriental ser irreconhecível comparada à Ocidental.
Decorridos os anos, o que sobrou da forte presença esquerdista marcante no mundo a partir do fim da guerra? O império moscovita subitamente desmembrou-se, e hoje Cuba é quase o único país que se apresenta como comunista, juntamente com a Coreia do Norte.
Durante longos anos, o comunismo foi uma religião com dogmas e regras terminantes e implacáveis, que não se mantiveram imunes à teologia marxista-leninista (com perdão do sacrilégio) e que foram sendo erodidas pelas evidências e fortaleza dos acontecimentos. Alguém, mais paciente, encontrará outros exemplos, mas nenhum tem a expressão da simpática ilha do Caribe. A tanto se reduziu a febre do esquerdismo radical. Foi se extinguindo por carência de vitalidade. É o que resulta de uma religião sem Deus. Era um mundo
que fechava
as portas, e outro
abria as suas
*Jurista, ministro aposentado do STF

PAULO BROSSARD

Fonte: Zero Hora

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