Artigo do presidente da OAB/RS, Ricardo Breier, publicado no Jornal do Comércio desta quinta-feira (19): Alerta para as pesquisas eleitorais

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Alerta para as pesquisas eleitorais

A OAB/RS vem sendo protagonista, nas últimas eleições no Brasil, da campanha Vote Consciente. A nossa mobilização busca levar o máximo de informação aos eleitores: a importância do voto, como atuam os prefeitos e os vereadores, o calendário eleitoral, dicas sobre o dia da votação, como identificar Fake News, entre outros temas. De forma independente e apartidária, levamos relevantes conteúdos à população. É o compromisso social da Ordem gaúcha.

A nossa crença é que o voto não tem preço, mas tem consequências. Nenhum político corrupto, despreparado ou mal-intencionado assume um cargo sem receber muitos votos. No caso das eleições municipais, são necessários milhares de eleitores para assegurar uma vitória.

Desta forma, estimulamos que cada um pesquise, se informe, compare ideias e projetos. Vote com consciência em busca de uma boa escolha. Como grandes entusiastas e divulgadores do Vote Consciente, olhamos com desconforto para a divulgação de pesquisas eleitorais. Estes instrumentos, legalmente habilitados a serem realizados, vão acumulando cada vez mais resultados inconsistentes e causadores de desconfiança.

Nas últimas duas eleições municipais em Porto Alegre, coincidentemente, os resultados de pesquisas, na véspera da eleição, foram claramente equivocados. Não são deslizes modestos. São projeções fora da margem de erro, com distorções grosseiras de expectativa de voto. Embora as empresas especializadas informem que a pesquisa é sempre um retrato ou uma fotografia do momento, estes levantamentos apresentados nas vésperas das eleições chocam pelos erros gritantes de intenção de voto. E sabemos que mudanças radicais nas decisões dos eleitores não ocorrem de forma radical, em 24 ou 48 horas.

A nossa preocupação é com as influências e os impactos das pesquisas na vontade do eleitor. Todo mundo conhece alguém que votou porque tal candidato estava na frente nas pesquisas, ou não votaria em outro candidato, pois ele não estava tão bem posicionado. Logo, a pesquisa desequilibrou o pleito.

Num momento de acirramento político, estes erros trazem mais instabilidade às disputas e com pouco ou com nada contribuem para o amadurecimento do eleitor. Precisamos despertar a consciência dos cidadãos e reforçar a relevância e o poder de transformação que eles têm em suas mãos. É a pesquisa do eleitor em bons candidatos que deve nortear o voto, e não a pesquisa eleitoral.

Fonte: OAB/RS

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