Arrozeiros tentam negociar dívidas

Fonte:  Corrreio do Povo

70% dos produtores devem para setor privado
Crédito: ANTONIO SOBRAL / MEMÓRIA / cp

Após constatar que o socorro de R$ 1 bilhão da União pouco reflexo teve sobre a crise e ver negado o principal pleito (o prêmio direto ao produtor), o setor arrozeiro faz nova tentativa de amenizar o cenário baixista. Agora, a ordem é direcionar esforços para os 70% dos 18.500 orizicultores que têm financiamento direto com indústrias, revendas ou cooperativas. Após uma série de reuniões, uma proposta única está sendo elaborada por Federarroz, Farsul e Fetag e deve ser encaminhada nesta semana. O endividamento setorial será assunto de encontro entre parlamentares e o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, hoje, em Brasília.
A ideia é solicitar a utilização de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) Giro Rural para pagamento de fornecedores, além da revisão de cadastros para retomada de crédito rural pelo Banco do Brasil. Para facilitar a renegociação de dívidas, ainda está em análise uma ação na Justiça para que os produtores também possam ser amparados pela Lei de Recuperação Judicial. Para honrar as dívidas com a indústria, o orizicultor Laudir Rech Júnior, que cultiva 860 hectares arrendados em São Borja, chegou a vender sacas do grão por R$ 17,00. Apesar de estimar um prejuízo de R$ 1 milhão, ele não pretende desistir da atividade. Mas prevê redução de área em torno de 20%. A dificuldade de acessar o crédito bancário, onde há juro mais baixo, ocorre devido a consecutivas quebras de produção, que comprometeram a capacidade de pagamento. "Todo mundo gostaria de ter lucro, rentabilidade. Mas eu tenho paixão por produzir alimentos."

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