Arrozeiros preveem área menor

Apesar da alta dos preços verificada neste ano, a escassez de água para irrigação e a sedução provocada pelas cotações atraentes da soja podem levar os produtores gaúchos de arroz a reduzir a área plantada na safra 2012/13. A estimativa preliminar da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) é que as lavouras deverão encolher para 900 mil hectares no Estado, diz o presidente da entidade, Renato Rocha.

O Rio Grande do Sul é o maior produtor brasileiro de arroz, com 1,1 milhão de hectares e 7,7 milhões de toneladas em 2011/12 (o equivalente a dois terços da safra do grão no país no período), conforme a Conab. Segundo o Instituto Riograndense do Arroz (Irga), o Estado colheu 7,7 milhões de toneladas em 1 milhão de hectares no período.

Rocha estima que entre 80% e 90% da área que deixará de ser cultivada com arroz migrará para a soja (que na safra passada alcançou 4,2 milhões de hectares, segundo a Conab). A previsão já leva em conta alguma recuperação dos mananciais nos próximos 90 dias, dentro da média dos últimos anos, e com isso o dirigente projeta que os preços médios no Estado para o arroz em casca longo fino deverão ficar entre R$ 28 e R$ 34 a saca de 50 quilos em 2013.

Na primeira semana de agosto o preço médio do grão pago aos produtores gaúchos chegou a R$ 29,58 a saca, de acordo com o Irga. O valor é o mais alto, em termos nominais, desde os R$ 29,95 registrados na terceira semana de fevereiro de 2010 e representa uma alta de 28,3% em relação à média do mês de agosto do ano passado. Já os custos totais de produção oscilam de R$ 26,56 a R$ 28,64 por saca no Estado, conforme a Conab, sendo que os gastos variáveis vão de R$ 21,37 a R$ 26,74.

O Irga fará a primeira projeção de plantio para 2012/13 até o fim do mês, mas o presidente do instituto, Cláudio Pereira, admite que os produtores estão “inseguros” em relação à disponibilidade de água para irrigar as lavouras. Segundo ele, o preço médio da soja no Estado, que de acordo com a Emater-RS subiu 59,9% nos últimos 12 meses, para R$ 69,94 a saca de 60 quilos, também estimula a rotação de cultura.

Pereira também acredita que as perspectivas de bons preços para a próxima safra são reforçadas pelo aumento das exportações de arroz pelo Brasil. No acumulado dos primeiros sete meses do ano os embarques cresceram 41,3% ante igual período de 2011, para 1,164 milhão de toneladas, enquanto as importações avançaram 34,8%, para 567,1 mil toneladas. O presidente do Irga, entretanto, não se arrisca sobre cotações.

“Há variáveis a serem consideradas, como área, câmbio, mercado internacional e estoques nas mãos do governo”. Segundo ele, os estoques oficiais no país somam quase 1,8 milhão de toneladas, das quais 80% estão no Rio Grande do Sul, e podem ser colocados no mercado em caso de alta excessiva dos preços. O volume inclui 400 mil toneladas a serem doadas para fins humanitárias.

O presidente da Federarroz espera que o governo chame o setor para conversar antes de desovar estoques públicos. Ele diz que o mercado está abastecido com estoques privados, que o beneficiamento vem crescendo – passou de 3,5 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2011 para 3,9 milhões no mesmo período deste ano no Estado, de acordo com o Irga – e que o produto não está pressionando a inflação. (SRB)

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Fonte: Valor | Por De Porto Alegre

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