Após seca e lagarta, cresce produção na Bahia

Os produtores do oeste da Bahia voltaram a respirar nesta safra 2013/14. A produtividade melhorou em relação a 2012/13, embora ainda esteja abaixo da dos anos anteriores.

Após ter atingido produtividade recorde, e semelhante à dos norte-americanos em 2012, as lavouras do oeste da Bahia sentiram os efeitos de uma forte seca e da chegada da Helicoverpa armigera, uma praga até então desconhecida dos produtores. O resultado foi uma queda forte na produtividade da região.

Neste ano, com clima melhor e um aprendizado em como combater a praga, a produtividade voltou a subir. Moises Almeida Schmidt, conselheiro da Aiba (associação de produtores da região) e vice-presidente do Sindicato dos Produtores de Barreiras (BA), diz que a produtividade da soja sobe para 42 sacas, em média. Havia sido 38 sacas em 2013. Apesar dessa elevação, o volume colhido pelos produtores ainda é 20% inferior ao da média atingida na região nos últimos anos.

O milho, após um recuo para 125 sacas por hectare no ano passado, deverá atingir 160 sacas. Mas o grande salto será o do algodão, cujo clima foi favorável às lavouras e a produtividade média deverá ficar entre 270 e 280 arrobas por hectare.

Ao atingir essa produtividade, os produtores baianos só ficam atrás da agricultura australiana, que tem boa parte das lavouras irrigada.

Com o aumento de produtividade neste ano e os preços ainda aquecidos, Schmidt calcula que os produtores de milho terão um lucro líquido de R$ 400 por hectare, acima dos R$ 220 do da soja. No caso do algodão, os lucros serão de R$ 1.800.

Mas Schmidt diz que os gargalos para o produtor continuam, principalmente os custos da logística. O transporte hoje é feito por meio de estradas. Ele acredita, no entanto, que a retomada do transporte hidroviário pelo rio São Francisco e a entrada em operação da ferrovia Leste-Oeste –possivelmente em 2016– vão reduzir os custos.

Esse novo cenário de produção na região neste ano provocou um aumento no número de participantes da Bahia Farm Show, a principal feira do agronegócio do Nordeste, segundo Schmidt. O evento ocorrerá no final deste mês em Luís Eduardo Magalhães (BA).

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Produção O valor da produção das lavouras e das carnes brasileiras vai atingir R$ 451 bilhões neste ano, conforme cálculos de José Garcia Gasques, do Ministério da Agricultura.

Os dados A renda dos produtores com a produção das lavouras sobe para R$ 297 bilhões, enquanto a com as carnes recua para R$ 154 bilhões. A queda nesse setor ocorre no valor da avicultura, que recua para R$ 50 bilhões, aponta Gasques.

Aprendendo com o inimigo A grande vilã da safra passada, a lagarta Helicoverpa armigera, já não assusta tanto os produtores, embora ainda cause elevados custos.

Exemplos anteriores Assim como ocorreu no aparecimento da ferrugem da soja e do mofo branco, os produtores aprenderam a lidar com a lagarta.

Maior controle Rotação de defensivos, cuidados com o solo e variedades mais resistentes resultaram em melhor controle da produção e produtividade maior.

Armazenagem 1 A Bahia é deficitária em armazenagem. Há recursos para o aumento da capacidade instalada, mas o produtor não consegue o crédito devido a questões ambientais.

Armazenagem 2 O crédito só vem com licenças de localização, de implantação e de operação. Enquanto elas não vêm –e são demoradas–, o produtor não consegue crédito nem iniciar a construção dos armazéns.

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CESTA BÁSICA

Preço sobe 4,1% em abril, mostra o Procon-SP

O valor da cesta básica paulistana subiu 4,1% no mês de abril. Segundo pesquisa divulgada ontem pelo Procon-SP, o preço médio passou de R$ 393,37, em 31 de março, para R$ 409,53, em 30 de abril. Os produtos que mais subiram de preço no período foram a batata (25,5%) e a cebola (12,2%).

Fonte: Folha

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