Após recuperação, Frigol planeja voltar a investir

Pascon diz que 30% da receita do Frigol deve ser proveniente de exportações
Recém-saído da recuperação judicial, o frigorífico paulista Frigol quer aproveitar a volta à normalidade para retomar a estratégia de diversificação engavetada em 2012 diante das dificuldades para obter crédito. A companhia quer medir a receptividade dos investidores para voltar a fazer aquisições, o que poderá incluir aportes no setor de carne de frango, no qual o Frigol não atua.

"Sempre olhamos oportunidades e, hoje, ainda mais nessa situação de alavancagem, vemos uma aquisição com mais desejo", afirmou ao Valor o presidente-executivo do Frigol, Luciano Pascon, destacando a redução do índice de alavancagem (a relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses) obtida pela companhia ao longo da recuperação judicial. A empresa teve seu pedido de recuperação aprovado em 2011 e saiu da condição no fim do ano passado.

Entre 2011 e 2015, esse índice caiu de 4,5 vezes para 1,3 vez. Atualmente, a dívida repactuada na recuperação judicial está em R$ 50 milhões, basicamente com bancos, e deve ser totalmente quitada em nove anos. O valor original da dívida no início da recuperação judicial era R$ 145 milhões.

De acordo com Luciano Pascon, o equacionamento da dívida abriu espaço para o Frigol financiar eventuais aquisições. A companhia não definiu onde investir, mas o executivo considera tanto a possibilidade de emitir títulos de dívida no exterior ou Brasil como atrair um sócio estratégico – em 2015, a empresa chegou a ser sondada por investidores chineses. Pascon disse, porém, que qualquer financiamento ou aumento de capital só irá adiante se houver um investimento em aquisições. "Não vamos fazer nada só para colocar dinheiro em caixa", assegurou.

De todo modo, o plano do Frigol é resgatar o conceito Frigol Foods, a empresa que foi criada em 2012 pelos cinco sócios do Frigol com o objetivo de angariar recursos na bolsa paulista para o frigorífico, então em recuperação judicial. A ideia de fazer o IPO da Frigol Foods na BM&FBovespa não avançou devido à própria condição de recuperanda do Frigol e agora está descartada por conta do cenário econômico adverso do país, mas o conceito do projeto é válido e pode ser posto em prática, disse.

Segundo Pascon, a intenção é transformar o Frigol, hoje um frigorífico de bovinos e suínos que fatura R$ 1,439 bilhão por ano, em uma empresa de alimentos à base de carnes. Também por isso investir em carne de frango pode ser uma alternativa, acrescentou o presidente do conselho de administração do Frigol, Djalma de Oliveira.

Além do interesse em aquisições, o Frigol vem investindo nas operações que já possui. Conforme Pascon, a companhia deve concluir até o fim do ano as obras de ampliação da capacidade de abate do frigorífico de suínos em Lençóis Paulista (SP), na região de Bauru. Com o investimento, de R$ 4 milhões, a unidade elevará a capacidade de abates diários de 500 animais para 1,2 mil.

O frigorífico de suínos também está em processo de autorização para começar a exportar para os países da chamada "Lista Geral", que não exigem regras sanitárias específicas. Mas o principal passo será dado no segundo semestre, disse. Assim que estiver na "Lista Geral", o Frigol também buscará a autorização da Rússia para exportar carne suína. Os russos compram cerca de 45% do volume de carne suína vendido pelo Brasil.

Na área de carne bovina, principal segmento de atuação do Frigol, a aposta para 2016 é a China. No fim do ano passado, o frigorífico de bovinos da companhia em Lençóis Paulista foi autorizado a exportar ao país asiático. Agora, a expectativa de Pascon é que a produção de carne bovina destinada à China tenha início ainda este mês.

Na visão do executivo, o início das vendas para os chineses deve impulsionar a fatia da receita obtida pelo Frigol nas exportações. Segundo Pascon, essa participação pode atingir 30% em 2016, ante 17% ano passado. Além do aumento do volume exportado, a alta do dólar ante o real é outro fator que contribui para ampliar essa participação.

No mercado doméstico brasileiro, onde o cenário segue adverso, o Frigol pretende reforçar a estratégia de fidelidade com os açougues de supermercados no interior paulista. O projeto, que prevê consultoria e treinamento do frigorífico em troca de fidelidade nas compras de carne, está presente hoje em 20 supermercados, mas deve subir para 70 neste ano, projetou o executivo.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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