Após recorde, exportação de café pode se repetir este ano

Carvalhaes, do Cecafé: safra deve ser boa e Brasil deve atender a demanda
Após embarques recorde de café em 2015, que alcançaram 36,890 milhões de sacas, os exportadores brasileiros acreditam que o número pode ser repetido este ano. Mas isso vai depender de "uma boa safra" 2016/17 no país, afirmou ontem o presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Nelson Carvalhaes, em encontro para divulgar o balanço das vendas externas no ano passado.

"Espero que o número [de 2015] se repita se for uma boa safra", disse Carvalhaes, observando, porém, que o Cecafé não faz estimativas para a produção. Mas, por ora, o dirigente se mostra otimista com o ciclo 2016/17, considerando o clima favorável na maior parte das regiões produtoras. Segundo o Conselho Nacional do Café (CNC), a colheita na nova safra deve ficar entre 47 milhões e 50 milhões de sacas. Hoje a Conab divulga sua primeira estimativa para o ciclo. Na safra 2015/16, segundo a autarquia, a produção no país foi de 43,24 milhões de sacas.

No ano que passou, as exportações brasileiras de café somaram 36,89 milhões de sacas, alta de 1,3% sobre 2014. Mas, preços em queda no mercado internacional fizeram a receita com os embarques recuar 7% na comparação com 2014, para US$ 6,135 bilhões. No período, o valor médio da saca de café exportada pelos brasileiros foi de US$ 166,32, redução de 8,2% sobre os US$ 181,12 de 2014, segundo o Cecafé.

"Apesar dos problemas climáticos que tivemos nos últimos dois anos, conseguimos o êxito de atingir o recorde", disse Carvalhaes.

Do volume total exportado no ano passado, 29,156 milhões de sacas foram de café arábica e 4,169 milhões da espécie conilon. Houve ainda a exportação de 3,564 milhões de sacas de café industrializado. Enquanto as vendas de arábica caíram 1,1%, as de conilon subiram 21% em 2015, reflexo da menor oferta de produto do Vietnã.

O presidente do Cecafé evitou traçar cenários para o preço do café este ano, mas disse que, devido aos estoques mundiais ajustados, a expectativa é de que as cotações se mantenham. No ano que passou, os preços foram afetados pela alta do dólar ante o real, que estimula a oferta por parte do Brasil. Carvalhaes ponderou que a retração das cotações do café foi menor do que a vista em outras commodities por conta do equilíbrio entre oferta e demanda.

Embora espere uma exportação semelhante à de 2015 para este ano, Carvalhaes reconheceu que os embarques no primeiro semestre podem ser menores do que os do mesmo intervalo do ano passado em função da esperada redução dos estoques brasileiros. "É uma interrogação o tamanho dos estoques. (…) mas há sentimento de que estão se reduzindo e que na passagem do ano serão os mais baixos", disse.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor

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