Aplicação de conhecimento técnico nas lavouras é a garantia de renda no futuro, aponta consultor

Em seminário da Cooplantio, em Gramado (RS), José Luiz Tejon defendeu tecnologia e ações eficazes de marketing no agronegócio

Mary Silva | Porto Alegre (RS)

Carlos Queiroz / Divulgação

Foto: Carlos Queiroz / Divulgação

Seminário foi aberto nesta segunda, em Gramado (RS)

A aplicação do conhecimento técnico-científico no agronegócio foi a tônica da apresentação do Mestre em Cultura e professor de pós-graduação José Luiz Tejon na primeira palestra do 27º Seminário Cooplantio – Agroconhecimento: Alimentos e Rentabilidade, nesta segunda, dia 11, em Gramado (RS). O contexto envolveu os participantes, com metáforas e alusões a situações do mundo moderno, para demonstrar a realidade dos agricultores brasileiros. Vice-presidente do Conselho Científico para Agricultura Sustentável, Tejon iniciou sua explanação chamando a atenção para a importância do agroconhecimento no futuro das atividades de produção de alimentos.

– Agricultor só sabe ganhar dinheiro à moda antiga: trabalhando. Um dos grandes desafios da cadeia produtiva é ter rentabilidade proporcional ao conhecimento aplicado por hectare. Os investimentos em pesquisa no agronegócio só perdem em volume para a área farmacêutica. Então, é necessário fazer justiça a isso – aponta.

Com auxílio de imagens e vídeos, o especialista lembrou os avanços da agricultura e pecuária no Brasil. E citou exemplos de produtores que partiram de um conhecimento zero sobre a lida no campo e acabaram fazendo sucesso, com grande lucratividade. É o caso de uma agricultora de Goiás que, de acordo com o palestrante, após ficar viúva, passou a buscar informações com entidades como a Embrapa e se tornou referência em gestão de integração de pecuária, floresta e grãos.

– Ela herdou uma fazenda e em quatro anos se transformou. O mundo nos revela que alguém que sabe nada pode aprender e passar a fazer um novo software mental – diz.

Tejon citou ainda a relação entre todos os elos da cadeia produtiva e a sociedade urbana, justificando o argumento de que a evolução e mudanças na forma de pensar e agir são essenciais para o crescimento do setor. Ele defende, além da adoção da mecanização para que se possa manter os pequenos e médios produtores nas lavouras, um avanço significativo na maneira de se relacionar com a mídia, com estratégias mais eficazes de marketing.

– O agricultor vive um drama. Ele está ali, espalhado pelo mundo, e, à sua volta, há uma estrutura gigantesca. Melhoria contínua do conhecimento sobre genética, sobre o clima e o valor das terras é uma necessidade. Temos que aprender a inovar e vender o que não se vendia antes. A explosão da classe C, do aumento do poder aquisitivo, nos força a isso. Há nesse cidadão um valor muito maior do que se imagina no campo. São grandes desafios e o agricultor é um driblador – afirma.

Para o palestrante, os veículos de comunicação são fundamentais nestas mudanças de comportamento.

– Tem que pensar em outra atitude. Em uma modernização de comunicação, de mídia. Precisamos de uma Paula Fernandes defendendo o agronegócio, assim como a Gisele Bündchen fala a favor dos ambientalistas. Imagina a Paula apoiada pelo agronegócio, cantando músicas que falem sobre a terra, a produção. Acho importantíssimo que nasça aqui na Cooplantio algo mais inteligente em comunicação. Aí, já dá para enfrentar a Gisele – opina.

Ele encerrou sua participação no seminário com uma projeção do homem do campo e da cadeia produtiva de alimentos nos próximos 10 anos.

– Genética é um desafio, por culpa de uma enxurrada da mesma coisa. A falta de tecnologia acomoda. Em 2022, temos que explorar o agroconhecimento, com pesquisa, ciência e tecnologia, agrocompetência, na aplicação desse conhecimento, e agroatitude, que se trata de fazer com que o homem da cidade saiba o que é feito. Dialogar com a sociedade urbana. Com liderança associativa poderemos enfrentar feras e colocar as coisas em ordem.

Fonte: Ruralbr |

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