Apesar da seca, feijão mantém produtividade

Rendimentos da primeira safra foram 52,6% acima do esperado em algumas regiões, segundo relatório da Emater-RS

MARCO QUINTANA/JC

Machado considera o resultado do feijão uma grande surpresa.

Machado considera o resultado do feijão uma grande surpresa.

As chuvas irregulares registradas em diversas regiões do Rio Grande do Sul na primeira semana de março foram insuficientes para estancar os prejuízos das lavouras gaúchas. Apesar da incidência de 75 mm em Passo Fundo, 70 mm em Bagé, 117 mm em Santa Maria e 40 mm na região de Santa Rosa, as projeções de quebra no milho e na soja seguem elevadas. A surpresa positiva – segundo o relatório conjuntural da Emater-RS divulgado na sexta-feira – é a manutenção da produtividade do feijão de primeira safra.
Mesmo com perdas consolidadas de cerca de 15%, a cultura tem sustentado média de colheita acima de mil kg por hectare. O dado pode ser considerado bastante positivo para o cenário de estiagem que deve determinar quebra superior a 6 milhões de toneladas de grãos no Estado, com a redução da previsão de 23,746 milhões de toneladas para 17,712 milhões de toneladas em 2012. 
Com base no levantamento realizado entre os dias 20 e 24 de fevereiro, o feijão apresenta redução da média histórica de 81,639 toneladas para 69,533 toneladas. No entanto, a expectativa era de danos mais elevados, conforme explica o gerente-técnico da Emater-RS, Dulphe Pinheiro Machado. “Não tenho dúvida de que se comparássemos com o ano passado as quebras seriam mais significativas. Entretanto, dentro do quadro geral das demais culturas, eu diria que o feijão é a grande surpresa positiva, pois conseguiu manter uma produtividade razoável”, destaca.
Para o gerente, com a primeira safra praticamente colhida e a produtividade reduzida de 1.111 kg por hectare para apenas 1.012 kg por hectare, o ciclo registrou chuvas em momentos importantes e nas maiores regiões produtoras. Na região administrativa de Caxias do Sul (Serra e Campos de Cima da Serra), que detém cerca de 20% da produção, as probabilidades atuais projetam rendimentos 52,6% acima do esperado e, na opinião do diretor- técnico da Emater-RS, Gervásio Paulus, compensam as perdas do Centro-Norte do Estado.
Com uma área plantada de mil hectares em Vacaria, no Noroeste do Rio Grande do Sul, o produtor Narciso Barison não vê com otimismo a situação da cultura na região. Ele revela que as perdas devem ficar em cerca de 40%, com uma redução média de 50 para 30 sacas por hectare. “Gostaria de estar errado, mas já estamos novamente há mais de 12 dias sem chuvas. A seca é preocupante e vai gerar quebras maiores do que as projetadas”, garante.

Chuvas voltam hoje ao Estado, mas com pouco volume

De acordo com a previsão do Centro Estadual de Meteorologia (Cemet-RS), as chuvas devem voltar ao Rio Grande do Sul a partir desta segunda-feira. Apesar das altas temperaturas previstas para hoje, até amanhã a passagem de uma frente fria pode provocar precipitações em todas as regiões.
No entanto, os volumes devem ser baixos: entre 10 e 20 mm nas regiões Sul e Metropolitana e entre 20 e 35 mm nas demais regiões. Apenas na Fronteira Oeste os volumes totais de chuva previstos poderão superar os 35 mm e atingir 50 mm acumulados em áreas isoladas.
No final da semana uma nova massa de ar seco e frio chega ao Estado. As temperaturas serão amenas, condição mais típica de outono. Entre a quarta-feira e a quinta-feira deverão ser registrados valores mais baixos de temperatura mínima. Em praticamente todo o Estado, as temperaturas mínimas ficarão abaixo de 15 graus; na Serra do Nordeste, poderão ser próximas de 6 graus durante a madrugada. No período da tarde, mesmo com a presença do sol, as temperaturas deverão oscilar em torno dos 25 graus, o que auxilia a manutenção dos recursos hídricos nas lavouras.

Pepe Vargas diz que é preciso “assentar com qualidade”

O novo ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Pepe Vargas, disse ontem que o governo não pode pensar só na quantidade de novos assentamentos de reforma agrária pelo País. Em 2011, o número de novos assentados foi o mais baixo desde 1995 e teve queda de 44% em relação ao ano anterior. Na sexta-feira, Afonso Florence deixou o comando do ministério.
Vargas falou que é preciso “assentar com qualidade” e investir mais recursos em políticas que permitam a permanência de agricultores no campo. “A tendência é que o número de assentamentos tenha metas com esse tipo de objetivo. Não só uma meta numérica de ‘assentamos tantos’. (Vamos pensar:) Assentamos de que forma?”
No sábado, a presidente Dilma Rousseff divulgou nota lamentando “interpretações” de que Florence havia sido demitido por ter fracos resultados no comando da pasta. Dilma reiterou que ele deu uma “importante colaboração” e que irá se dedicar a projetos para a Bahia. Vargas disse concordar com os termos da nota e falou que a troca “não foi por um problema de desempenho”. Mas afirmou que a presidente não deu justificativas para a mudança.
Natural de Nova Petrópolis, o médico Pepe Vargas está em seu segundo mandato na Câmara dos Deputados. Foi vereador (1989-1992), deputado estadual (1995-1996) e duas vezes prefeito de Caxias do Sul (eleito em 1996 e reeleito em 2000). Atualmente, preside a Frente Parlamentar Mista da Micro e Pequena Empresa no Congresso Nacional e é membro da Comissão de Finanças e Tributação. Filiado ao PT desde 1981, iniciou a vida política no movimento estudantil  e atuou também em vários sindicatos de trabalhadores. A data da posse de Vargas no ministério ainda não foi confirmada pelo governo.

Fonte: Jornal do Comércio

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