Apagão atinge regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste

Um apagão na tarde de ontem deixou sem energia cerca de 5 milhões a 6 milhões de pessoas, em 11 Estados das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte do País.
O problema teve origem em dois curtos-circuitos na linha de transmissão entre Colinas (TO) e Serra da Mesa (GO), segundo Hermes Chipp, presidente do ONS (Operador Nacional do Sistema). A transmissão ficou interrompida entre as 14h03 e as 14h41.
As causas dos curto-circuitos devem ser divulgadas amanhã, após reunião do ONS com os agentes do setor, segundo Chipp. O presidente descarta, porém, avarias em equipamentos, já que o sistema de proteção foi acionado imediatamente e interrompeu a transmissão.
Foi cortado o equivalente a 7% da carga total das áreas afetadas, segundo o ONS. Preocupado com o impacto de uma crise no setor elétrico, o governo convocou uma reunião reservada de emergência logo após o incidente.
No Rio Grande do Sul, mais de 300 mil clientes foram afetados pela situação. Na área de cobertura da AES Sul, foram desligados 96 MW em cinco subestações, que atendem a Venâncio Aires, Alegrete, Itaqui, Uruguaiana e São Borja, abrangendo 23 mil clientes.
Já a RGE teve de desligar 250 MW de carga, o que corresponde a 13% da demanda média da empresa. Ao todo, 169 mil clientes foram atingidos nas regiões do Vale dos Vinhedos, Noroeste, Encosta da Serra, Metropolitana, Alto Uruguai, Planalto, Hortênsias, Vale do Paranhana e da Produção. Os usuários abastecidos pela CEEE em 11 municípios também ficaram algumas horas sem luz. O problema chegou a 140 mil clientes em cidades como Porto Alegre, Alvorada, Bagé, Guaíba e Pelotas.
São Paulo foi o estado mais afetado, com 1,2 milhão de unidades consumidoras sem energia. No Rio, faltou luz em vários bairros das zonas Norte e Oeste, causando também transtornos no trânsito. No Centro-Oeste, foram registrados cortes de energia em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Segundo a Enersul, concessionária que atende a 74 dos 79 municípios do Mato Grosso do Sul, o impacto foi em sete municípios, a maioria deles com poucos habitantes.
No Paraná, o fornecimento foi restabelecido por volta das 15h50min, segundo a Copel. De acordo com a concessionária, 548 mil clientes foram afetados, o que representa 13% dos 4,1 milhões da base da empresa. Na cidade de Assaí, a Jumbo Indústria Mecânica, fabricante de equipamentos especiais para geração de energia, como partes de turbinas para hidrelétricas, foi afetada durante uma hora. Segundo o diretor comercial da indústria, Marco Antônio Bomtempo, o prejuízo por causa do apagão chega a R$ 100 mil. Em Santa Catarina, segundo a Celesc, 315 mil unidades consumidoras ficaram sem energia, o que corresponde a 13% dos clientes atendidos. De acordo com a companhia, o ONS autorizou o restabelecimento do sistema às 15h36m.
O apagão ocorre menos de um dia depois de o Operador Nacional do Sistema ter registrado pico recorde de demanda no Sistema Integrado Nacional, às 15h32 de ontem, e, às 15h33, no subsistema Sudeste-Centro Oeste. A causa dos recordes de consumo, segundo o operador, são as elevadas temperaturas em todo o país.
Além de demanda maior, houve uma mudança no horário do pico, atualmente por volta das 15h30 e não mais no início da noite. A alteração se deve principalmente ao uso de ar-condicionado, potencializado nos dias de calor mais forte.
Segundo o professor titular do Programa de Energia Elétrica da Coppe/UFRJ, Djalma Falcão, se a falha tivesse ocorrido mais próximo ao horário de pico, em vez de às 14h, a área e os prejuízos teriam sido maiores. Em boa parte das cidades, segundo as concessionárias, o abastecimento foi interrompido por orientação do ONS, para diminuir a demanda. “É melhor deixar uma residência sem energia por algumas horas do que cortar o fornecimento para o metrô”, argumentou Chipp.

Fonte : Jornal do Comércio