Antônio Andrade diz que logística é maior desafio para o agronegócio

Estudo Projeções do Agronegócio Brasil 2012/2013 a 2022/2023 estima que produção de grãos no Brasil alcance 222,3 milhões de toneladas em 10 anos

Carlos Silva

Foto: Carlos Silva / Mapa

Estiveram presentes no evento o assessor de Gestão Estratégica, João Cruz Reis Filho, e o coordenador-geral de Planejamento Estratégico, José Garcia Gasques, autor da pesquisa

O ministro da Agricultura, Antônio Andrade, afirmou nesta quinta, dia 27, durante o lançamento do estudo Projeções do Agronegócio Brasil 2012/2013 a 2022/2023, em Brasília (DF), que o grande desafio é vencer as dificuldades de logística e infraestrutura, para atender ao crescente aumento da produção brasileira de grãos.
– O governo tem uma comissão interministerial que discute o tema e busca soluções de curto, médio e longo prazos – explica ele.
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A projeção é do estudo é que, nos próximos dez anos, a produção de grãos no Brasil alcance 222,3 milhões de toneladas, com potencial para chegar a 274,8 milhões de toneladas.
– É importante destacar que esse trabalho desenvolvido aqui no Ministério da Agricultura, além de indicar para produtores e governo os possíveis rumos futuros da agricultura, mostra também que o crescimento agropecuário na próxima década será com base no aumento da produtividade – explicou o ministro.
Ele ressaltou ainda o papel do novo Plano Agrícola e Pecuário para ampliar a capacidade de armazenamento de grãos no Brasil.
– Esse novo plano é apenas uma parte das ações voltadas para a infraestrutura e a logística. Além de destinar R$ 25 bilhões para ampliar o número de armazéns, o governo federal também tem trabalhado para aprimorar o escoamento da produção agropecuária.
A pesquisa realizada pela Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (AGE/Mapa) prevê que o acréscimo produtivo de grãos varie entre 20,7% e 49,2% em dez anos. No mesmo período, a expansão da área prevista é de 8,2% a 30,3%, indicando que o principal fator de crescimento será a produtividade.
Em relação à área total de lavouras (que inclui culturas como cana-de-açúcar e laranja), deve passar de 67 milhões de hectares em 2013 para 75,5 milhões em 2023. Essa expansão está concentrada principalmente no crescimento dos plantios de soja e de cana-de-açúcar. Milho também deve ter aumento de cultivo, enquanto culturas como arroz, mandioca, trigo, feijão e café mantêm-se praticamente sem alteração ou perdem área.
O mercado interno será o principal fator de crescimento da agropecuária nacional, apesar da perspectiva de aumento das exportações. Em 2022/2023, 51% da produção de soja será comercializada dentro do país, enquanto esse valor para milho será de 67%. Em relação às carnes, o consumo interno será de 75% de toda a produção de bovinos e de 82,3% de suínos.
Andrade destacou o saldo de US$ 83 bilhões na balança comercial do agronegócio nos últimos doze meses, com receita de US$ 99,5 bilhões. O ministro disse que a importância do agronegócio na balança comercial aumenta a responsabilidade, mas lembrou que o Ministério da Agricultura tem um papel importante no combate à inflação e na alimentação de 200 milhões de brasileiros.
Pecuária

A produção de carnes tem aumento esperado de 35% para os próximos 10 anos. O principal motivo é o crescimento da renda do brasileiro, que impulsiona o consumo interno. Deverão ser produzidas 9,3 milhões de toneladas a mais no país. A carne de frango tem alta de produção estimada em 6,5 milhões de toneladas, já a bovina, de 2 milhões de toneladas, e a suína, 800 mil toneladas. O crescimento deve se basear no aumento da produtividade, estimulado, por exemplo, pelo sistema de integração lavoura-pecuária.

Comércio internacional
O Brasil elevará a participação no comércio mundial de soja e de carnes. Mais de 44% da oleaginosa exportada no mundo deverá ser brasileira, enquanto esse índice será de 19,9% para a carne bovina e de 41,7% para suína. O país também manterá a liderança nas vendas internacionais de café, açúcar e suco de laranja.
A China deverá ser a principal compradora de soja, adquirindo 71,3% da produção mundial da oleaginosa. Os Estados Unidos serão os maiores importadores de carne bovina, enquanto japoneses, chineses, mexicanos, de carne suína.

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA

Fonte: Ruralbr

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