Antecipação da colheita reduziu preço do frete em fevereiro

O transporte de soja das regiões produtoras aos portos do país chegou ao pico em fevereiro e, claro, os preços do frete para levar esse grão pelas rodovias também. O curioso, porém, é que os preços praticados no mês passado ficaram abaixo daqueles de igual período de 2018, enquanto em janeiro houve correção.

O motivo é a antecipação da safra 2018/19, que criou demanda em janeiro, um mês normalmente de menor necessidade. Por outro lado, a demanda arrefeceu em fevereiro. A exceção é o Paraná, onde os valores dos fretes rodoviários subiram porque a colheita ainda está ocorrendo no período tradicional.

Independentemente da alteração do fluxo entre janeiro e fevereiro, os preços praticados pelos transportadores estão abaixo da tabela mínima criada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) após a greve dos caminhoneiros em maio de 2018, principalmente nas rotas de longa distância.

"Nas rotas mais longas, há uma diminuição do coeficiente reais por quilômetro porque o transportador dá desconto para levar o produto em locais mais distantes, uma prática muito conhecida que a tabela não levou em consideração", disse Fernando Bastiani, pesquisador da EsalqLog, Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

De Sorriso (MT), importante polo produtor de grãos, ao porto de Paranaguá (PR), por exemplo, o preço do frete praticado nas duas primeiras semanas de fevereiro era em média de R$ 304,50 a tonelada por quilômetro, queda de 3,48% ante os R$ 315,47 ofertados um ano antes.

Em janeiro, o preço médio era de R$ 267,88. Apesar de ser mais barato comparativamente à fevereiro, trata-se de um aumento de 6,45% ante janeiro do ano passado. Na tabela da ANTT, o preço mínimo que deveria ser praticado é R$ 404,73.

"Um sonho que nunca pensamos em receber", afirmou um caminhoneiro ao Valorsobre a tabela. "Na prática, trabalhamos com o que resolvem nos pagar", acrescentou. Os valores dos fretes são estipulados pelas tradings, afirmam transportadoras, motoristas e os pesquisadores da EsalqLog.

No Paraná, onde a colheita ainda não chegou à metade, os preços ficaram mais altos em fevereiro ante janeiro e também na comparação anual. Segundo Bastiani, o calendário de exportação direciona os valores e, com a oferta de grãos maior agora, obviamente, há mais demanda por transporte.

De Cascavel a Paranaguá, por exemplo, o frete nas duas primeiras semanas de fevereiro estava em R$ 98,68 frente a R$ 93,41 em janeiro, aumento de 5,64%. Na tabela da ANTT, o valor mínimo indicado é de R$ 130,48. As distorções na tabela devem ser corrigidas pela própria Esalq-Log, que fechou um contrato de dois anos com a ANTT.

    Por Fernanda Pressinott | De São Paulo

    Fonte : Valor

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