Anúncio do novo preço mínimo do café é adiado pelo Ministério da Agricultura

Expectativa é de que reajuste seja anunciado na tarde desta sexta, dia 3, pelo ministro Antônio Andrade

Daniela Castro | Brasília (DF)

Jefferson Botega

Foto: Jefferson Botega

Desde 2012, os cafeicultores pedem a elevação no preço mínimo do produto

O Ministério da Agricultura convocou a imprensa nesta quinta, dia 2, para anunciar o novo preço mínimo do café. Em seguida, no entanto, a entrevista coletiva foi cancelada. O reajuste teria sido votado na última reunião do Conselho Monetário Nacional, mas ainda não foi divulgado.
A explicação dada pela assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura é que detalhes burocráticos impediram que o ministro tivesse acesso ao conteúdo dos votos agrícolas, aprovados pelo Conselho Monetário Nacional na terça, dia 30. Desta forma, ele não teria como detalhar as mudanças no preço mínimo do café. Enquanto isso, o setor fica sem saber em quanto ficarão os valores.
Desde 2012, os cafeicultores pedem a elevação no preço mínimo do produto: de R$ 261 para R$ 340 a saca do café arábica, e de R$ 156 para R$ 180 no caso do conilon. Sem reajuste há quatro anos, a revisão dos valores é classificada como urgente pelo setor.
– O preço mínimo é uma referência para que nós possamos desenvolver outros programas que venham a dar proteção ao preço do café e amparar o nosso produtor rural – afirma Silas Brasileiro, presidente do Conselho Nacional do Café.
Para o economista Roberto Piscitelli, a demora do governo em anunciar os novos valores pode estar relacionada ao temor da inflação.
– Como o governo está muito preocupado com a inflação, com pressões de certos grupos de produtos, certos serviços nos cálculos da inflação, ele certamente não quer dar essa sinalização ou elevar esse preço que de fato já há muitos anos permanece constante. Se o lucro dos cafeicultores tiver baixado muito, à medida que eventualmente os custos de produção tenham subido muito, e deixa de ser tão compensador como era o resultado obtido na sua produção e venda, isso pode levar efetivamente a um desestímulo à produção com eventuais prejuízos futuros em termos até de manutenção de estoques reguladores – completa o economista.
Ainda nesta quinta deve ser vencida essa etapa burocrática, que estaria pendente apenas por uma assinatura do Ministério da Fazenda. O ministro da Agricultura, Antônio Andrade, viaja nesta sexta, dia 3, com a presidente Dilma Rousseff para Uberaba, onde participa da Expozebu. Depois, retorna a Brasília. A expectativa é que, na sexta à tarde, ele anuncie o novo patamar do preço mínino do café.
Já no sábado, Antonio Andrade viaja para a China, onde irá tratar, por exemplo, da exportação de novas variedades de soja transgênica. Quem vai acompanhá-lo é o secretário de Defesa Agropecuária, Ênio Marques. Este será o último compromisso dele no cargo, já que, assim que retornar, Marques será exonerado. Quem deve assumir a secretaria é Pedro de Camargo Neto, ex-presidente da Abipecs, a Associoação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína.
Demora do preço mínimo do café demonstra descaso, diz FAEMG

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG), Roberto Simões, criticou na quinta, dia 2, a lentidão do governo federal em estabelecer um novo preço mínimo para o café.

– A cada dia que passa, pior é a situação para o produtor. Em momento de início de colheita e frente aos baixos preços no mercado, cresce a insegurança do cafeicultor. Nos surpreende a pouca importância que o governo está dando para uma atividade tão importante para o Brasil e, especialmente, para Minas Gerais – afirmou.

Para o presidente das Comissões de Café da entidade e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, o setor produtivo tem recebido com grande estranheza o adiamento da decisão.

– É uma sensação de surpresa e, ao mesmo tempo, de descaso ao perceber que o governo não valoriza o trabalho de uma entidade como a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que é o órgão oficial de levantamento do país.

Mesquita também destacou a desmotivação dos cafeicultores em função da demora do novo mínimo.

– A falta de garantias coloca um freio no setor produtivo. O produtor tem feito sua parte, mas se ele não vislumbra preços que cubram sequer seu custo e não há apoio governamental para trabalhar este cenário, o resultado é desolador. É um impacto na vida de mais de oito milhões de brasileiros que vivem de forma direta ou indireta do setor cafeeiro.

CANAL RURAL

Fonte: Ruralbr

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