Analistas projetam alta do PIB em setembro

Com a influência da volta da indústria ao terreno positivo e a continuidade da expansão das vendas do varejo, a atividade mostrou ligeira recuperação no fechamento do terceiro trimestre, o que deve continuar nos meses finais do ano, ainda que em ritmo moderado, avaliam economistas. Após alta de apenas 0,08% em agosto, a média de 19 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data aponta que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que será divulgado hoje, avançou 0,2% em setembro sobre o mês anterior, feito o ajuste sazonal.

As estimativas para o indicador mensal da autoridade monetária que tenta antecipar o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), vão de crescimento nulo a aumento de 0,5%. Na média do terceiro trimestre, analistas calculam que a atividade medida pelo IBC-Br ficará estável em relação ao trimestre anterior, o que confirma expectativa de um fraco desempenho do PIB no período, com possibilidade de leve recuo.

Braúlio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, observa que o comércio teve evolução favorável em todos os meses do terceiro trimestre, com a ajuda da perda de fôlego da inflação de alimentos e do programa Minha Casa Melhor. Em setembro, porém, a alta de 0,7% da atividade industrial foi mais importante para a aceleração prevista para o IBC-Br, diz. A LCA trabalha com aumento de 0,3% do índice, variação que, segundo Borges, deixa uma herança estatística mais positiva para o quarto trimestre e indica reação modesta da economia no período.

Nos três meses encerrados em setembro, o economista calcula que o IBC-Br vai registrar estabilidade em relação ao trimestre anterior, mesma projeção para a evolução do PIB em igual comparação, caso a métrica atual de cálculo das contas nacionais fosse mantida pelo IBGE. Como, no entanto, uma série de novos dados serão incorporados a partir da divulgação do terceiro trimestre, há um nível de incerteza nas estimativas para o PIB do período, afirma Borges.

Além da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), o IBGE vai revisar a série histórica do PIB desde 2012 com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), pesquisas agropecuárias municipais e números revisados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF). O órgão ainda não divulgou a nova metodologia de cálculo das contas nacionais. "Entre 30% e 40% do PIB podem ser revistos com a recuperação de informações adicionais e de maior qualidade", diz o economista-chefe da LCA.

O Itaú Unibanco também avalia que a incorporação da PMS no cálculo do PIB pode afetar os resultados trimestrais e anuais das contas nacionais. Para o banco, o PIB recuou 0,3% na passagem do segundo para o terceiro trimestre, feito o ajuste sazonal. Para a equipe econômica do Itaú, a queda de 1,4% da produção industrial no período foi um dos principais fatores que puxaram a atividade para baixo.

Em setembro, o economista Aurélio Bicalho ainda nota que as vendas do varejo ampliado (inclui automóveis e material de construção) tiveram retração, o que sugere expansão "moderada" do IBC-Br naquele mês ante agosto, de 0,4%. "Mantemos a avaliação de que as vendas no varejo devem ser impactadas pelo menor crescimento da massa salarial real, menor nível da confiança dos consumidores, aumento das taxas de juros reais e ritmo moderado de crescimento do crédito", afirma.

Segundo Thaís Marzola Zara, economista-chefe da Rosenberg & Associados, mesmo as contínuas altas das vendas do varejo não devem garantir uma recuperação muito robusta do consumo das famílias no terceiro trimestre, período em que, de acordo com as suas projeções, o PIB encolheu 0,2%. "O crédito cresceu muito pouco", diz.

Pelo lado da demanda, ela também aponta que os investimentos devem ter retração ante o segundo trimestre, o que é natural após dois trimestres seguidos de avanço acentuado da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida das contas nacionais do que se investe em máquinas e construção civil). No o último trimestre do ano, a Rosenberg trabalha com expansão de cerca de 0,5% do PIB na comparação trimestral com ajuste, o que resultaria em crescimento de 2,5% na média de 2013. "O último trimestre pode ser um pouco melhor, porque há uma aceleração do comércio em curso", afirma Thaís.

Borges, da LCA, também aposta em uma reação modesta da atividade nos meses finais do ano, com aumento de 0,4% do PIB sobre o trimestre anterior, em linha com indicadores antecedentes mais positivos da indústria observados em outubro e dados mais fortes da importação de bens de capital, divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento.

Fonte : Valor Econômico

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