América do Sul busca sustentação fora do Mercosul

Região depende de mercados externos e cogita acordos econômicos para ampliar a produção de alimentos de forma sustentável. Congresso reúne agronegócio e debate estratégias nesta semana

Postado em 25 de novembro de 2014

Colheita de milho em Venado Tuerto, província de Santa Fé, Argentina. Países sul-americanos ganham força na somatória da produção e das exportações regionais

Colheita de milho em Venado Tuerto, província de Santa Fé, Argentina. Países sul-americanos ganham força na somatória da produção e das exportações regionais

Christian Rizzi / Gazeta do Povo

Autor: Carlos Guimarães Filho

Com cinco países entre os dez maiores exportadores de soja do mundo e uma cadeia de carnes estruturada, que representa 15% da produção global, a América do Sul possui um mercado estabelecido no agronegócio. Apesar do cenário aparentemente confortável, a região precisa abrir novos mercados para garantir a expansão da atividade ligada ao campo. As oportunidades comerciais são um dos temas do 2.º Fórum de Agricultura da América do Sul (promovido pelo Agronegócio Gazeta do Povo, dias 27 e 28, em Foz do Iguaçu).

A necessidade de os países da região elaborarem ações conjuntas e assumirem maior influência no mercado internacional foi apontada como desafio central do bloco no Fórum de 2013. Quadro que se acentua num ano de produção maior que do consumo.

O crescimento dos estoques globais impõe a necessidade de uma revisão nas estratégias comerciais em nome da sustentabilidade ao agronegócio sul-americano. Entre as safras 2005/06 e 2012/13, a demanda pelas commodities agrícolas cresceu 2,43% diante dos 2,18% da produção. A inversão na safra passada, quando o consumo aumentou 4% e a produção mundial 5,9%, colocou o setor em alerta. De acordo com estimativas da Expedição Safra Gazeta do Povo, o cenário será semelhante na temporada 2014/15, com crescimento de 7,4% na produção e de 4,9% no consumo.

“A produção sul-americana de soja cresceu, de 2000 a 2013, duas vezes mais que a de outros cultivos. Assim, mais do que o ritmo do crescimento, precisamos discutir os impactos desse nível de especialização produtiva sobre as possibilidades de crescimento sustentável das economias dos países e a dinâmica socioeconômica dos seus territórios”, ressalta Monica Rodrigues, economista da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Ela participa da conferência “O papel do estado no desenvolvimento do agronegócio” (14h30, dia 27).

O principal desafio passa pela abertura de novos mercados fora do Mercosul, principalmente na Ásia e Europa. Para o professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul, Marco Antonio Montoya, esse mecanismo deve ser capitaneado pelo bloco como uma celular única.

“O Mercosul é fundamental para o agronegócio da região. Mas como os países têm produções parecidas, o bloco precisa estar perfilado em fazer negócio com outros blocos”, aponta Montoya. “É uma estratégia a mais de avanço.”

Liderança

Plantio de soja em Nova Mutum, Mato Grosso, Brasil, no maior polo de produção de soja da região

O processo de fortalecimento do Mercosul no agronegócio mundial é liderado por Brasil e Argentina. Juntos, os dois devem exportar 55 milhões de toneladas de soja em 2014/15, assume o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). Isso é perto de 50% dos negócios globais envolvendo a commodity. “Quase 70% dos negócios do agro no Mercosul têm origem no Brasil. A Argentina, mesmo em crise, tem grande peso”, frisa o professor de UPF.

Paraguai, Uruguai e Bolívia são considerados peças chave nas mesas de negociação. Garantem a liderança da região nas exportações de soja e milho. “O aumento dos embarques tem sido muito mais intenso que o da produção. O consumo está cada vez mais internacionalizado”, observa Monica.

Entrevista

Informação promete mais intercâmbio e redução de custos

Uma das palestrantes do Fórum de Agricultura da América do Sul, a economista da Comissão Econômica para América Latina e Caribe Monica Rodrigues afirma que barreiras à circulação de informação são determinantes no Mercosul.

A América do Sul tem noção de sua influência no mercado global de commodities agrícolas?

Os países da América do Sul respondem por 7% da produção agropecuária mundial e 12% das exportações globais desses produtos. Na última década, a participação da região nas exportações mundiais agropecuárias cresceu significativamente mais que a participação de toda a região latino-americana, um resultado robusto de décadas de investimentos privados e políticas públicas.

Qual tem sido o papel do Mercosul nesse contexto?

As exportações de commodities agrícolas e de alimentos processados são fundamentais, em termos econômicos e fiscais, para os países do Mercosul. Não se trata apenas de homogeneizar as tarifas de importação e eliminar quotas e outras medidas restritivas e discriminatórias. Também é necessário atuar para tornar as barreiras não tarifárias mais transparentes e pertinentes, e para aumentar a cooperação tecnológica e institucional na aplicação dos acordos.

Qual o maior desafio para um avanço socioeconômico?

Desde o ponto de vista da organização das cadeias produtivas, as barreiras para a circulação de informação e a baixa confiança entre os atores aumentam os custos de transação e limitam os intercâmbios e os derrames tecnológicos. [Mudanças] seriam positivas não somente para os atores envolvidos como também para outros agentes operando no mesmo território ou área de negócio.

Site oficial

Fórum de Agricultura da América do Sul

Veja a programação completa e faça sua inscrição no site www.agrooutlook.com

Fonte: Gazeta do Povo

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