Americanos buscam ampliar exportações de alimentos a Cuba

A histórica visita do presidente Barack Obama a Cuba nesta semana é rica em simbolismos, mas, mesmo que o presidente americano tenha acabado com restrições impostas a empresas de seu país nos negócios com a nação caribenha, o poderoso lobby agrícola dos EUA continua frustrado.

As exportações agrícolas para a ilha, que fica a 160 quilômetros da costa da Flórida, são permitidas pela legislação americana desde 2001. E como Cuba importa 80% dos alimentos que consome, Washington quer mais espaço num mercado que movimenta US$ 2 bilhões por ano.

Após atingir um pico de mais de US$ 710 milhões em 2008, as exportações agrícolas dos EUA para Cuba começaram a cair progressivamente. Em 2015, somaram US$ 180 milhões, segundo estatísticas comerciais americanas, menos que Brasil, União Europeia e Argentina.

Agora, Washington e Havana decidiram aprofundar a cooperação e as relações técnicas no setor. "Essa é uma oportunidade incrível para os setores agrícolas dos EUA e Cuba iniciarem uma relação mais sólida e aprimorada", diz Tom Vilsack, secretário da Agricultura dos EUA.

No entanto, as medidas acordadas durante a visita de Obama não eliminam as restrições financeiras que persistem sobre os importadores cubanos de produtos agrícolas americanos, o que tende a coibir esse comércio no curto prazo.

Desde janeiro, os importadores cubanos podem acessar os bancos americanos para financiar aquisições de outras origens, mas aqueles que querem comprar grãos ou carnes produzidos nos EUA, por exemplo, ainda precisam pagar adiantado e em dinheiro, ou utilizar um banco terceirizado.

Essas restrições estão codificadas na legislação americana e não podem ser levantadas por ordem do Poder Executivo, como Obama vem fazendo para mudar a política de seu país em relação a Cuba. No Congresso, o Partido Republicano resiste a uma maior abertura.

Paul Ryan, presidente da Câmara nos EUA, criticou a visita de Obama por seu foco em acordos comerciais "que vão legitimar e fortalecer o governo comunista" e lembrou que o embargo comercial americano a Cuba está intacto e em vigor. "É a lei".

Vilsack, por sua vez, vem tentando impor outras medidas. Ele afirmou que a proposta de Obama para o orçamento deste ano inclui recursos para promover produtos americanos na ilha, mas disse que "enquanto o Congresso não destinar mais dinheiro para a população ou acabar com o embargo" o alcance desses esforços será limitado.

Produtores de frutas cítricas da Flórida afirmam que Cuba poderá um dia se tornar concorrente dos EUA nessa área, mas a maior parte do agronegócio americano está tentando derrubar o embargo.

O Farm Bureau de Washington, maior grupo dedicado a defender os interesses do setor, uniu forças com 30 outras empresas e associações, incluindo a Cargill, para pressionar pelo fim das travas. Há projetos de lei nesse sentido, mas eles esbarram nos Republicanos. (Tradução de Mario Zamarian)

Por Shawn Donnan | Financial Times, de Washington

Fonte : Valor

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