Americana Indigo estabelece suas bases no Brasil

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Dario Maffei, vice-presidente de Global Markets e América Latina da Indigo

"Agtech" avaliada em mais de US$ 3 bilhões, a americana Indigo, startup criada em 2014, encerrou a fase de testes no Brasil e começa a estabelecer bases sólidas no país para expandir seus negócios.

A companhia atua em duas frentes principais, que se multiplicam: biotecnologia e digitalização. Na primeira, oferece aos agricultores sementes tratadas com micro-organismos capazes de elevar a produtividade das lavouras; na segunda, conta com soluções baseadas em inteligência artificial tanto para facilitar o monitoramento de propriedades quanto para eliminar intermediários em operações como compra e venda de grãos ou contratação de fretes.

Com esse perfil, a startup fundada como Symbiota e com uma grande "biblioteca" genômica se tornou um "unicórnio" e recebeu pouco mais de US$ 250 milhões em investimentos em 2017, parte dele de um fundo soberano de Dubai. E começou a crescer nos Estados Unidos e em outros países ou regiões fortes em agricultura e/ou em consumo, como Argentina, Austrália, Índia e Europa.

"Atraímos financiamento por causa da nossa visão de negócios: Com biotecnologia e digitalização, aprofundamos o conceito de ‘descommoditização’ e mostramos que o agricultor pode produzir mais e ter melhores margens, e que o consumidor pode comprar aquilo que quiser de quem quiser e com rastreabilidade", afirma Dario Maffei, vice-presidente de Global Markets e América Latina da Indigo.

A empresa abriu seu escritório no Brasil há 14 meses. Na safra 2018/19, que começou a ser plantada em setembro, sua semente "probiótica" Indigo Soja foi cultivada experimentalmente por 15 grandes produtores em uma área total de cerca de 70 mil hectares, ao mesmo tempo em que a comercialização de uma solução digital para melhorar a estrutura financeira das transações agrícolas.

Para o ciclo 2019/20, o objetivo é que a Indigo Soja seja adotada por pelo menos 500 produtores, em uma área da ordem de 500 mil hectares. Paralelamente, a empresa aguarda o licenciamento de sementes de milho e algodão que estão na fila em Brasília para ampliar o portfólio. "Nesta safra, nossa semente proporcionou, em média, ganhos de produtividade de 4,6%. Com a evolução do produto, os ganhos na próxima safra poderão ficar em 7% ou 8%", afirma Maffei.

Enquanto no Brasil é a versão "1" da Indigo Soja que está sendo comercializada, nos EUA já é a versão "3", mais produtiva. Segundo o executivo argentino, por aqui as sementes estão sendo adotadas sobretudo em polos de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. No Paraná, diz o executivo, no momento está havendo um trabalho de aproximação com cooperativas para acelerar vendas.

No campo da digitalização, a empresa aposta, além das soluções que permitem a eliminação de intermediários em operações de compra e venda de grãos, barter (troca de insumos por produção) ou na contratação de fretes, em um serviço de monitoramento por satélite das plantações incorporado com a aquisição da startup TellusLabs, no fim de 2018.

E se nasceu em Boston, onde está seu maior centro de pesquisa, é a partir do Brasil que a Indigo espera acelerar seu crescimento. "É um país fundamental no agronegócio. Já representa de 30% a 40% da receita fora dos EUA, mas tem potencial para responder por 50% do bolo total", afirma Maffei.

Por Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor