Ameaça da Rússia à soja causa surpresa

Ruy Baron/Valor

O secretário de Defesa, José Guilherme Leal: "Vamos propor um debate técnico"

Diante da surpreendente ameaça da Rússia de barrar as importações de soja do Brasil, o Ministério da Agricultura enviou ontem respostas aos questionamentos de Moscou. O serviço sanitário russo comunicou ao ministério na quinta-feira que detectou em carregamentos do grão brasileiro traços do agrotóxico glifosato em níveis acima do permitido em seu mercado.

A barreira provocou surpresa não só em Brasília, mas também entre exportadores. Segundo comunicado divulgado pelo ministério, os níveis de glifosato normalmente detectados na soja exportada à Rússia são mais de 100 vezes inferiores aos limites definidos pelo Codex Alimentarius.

"Já fizemos uma conferência por vídeo na sexta-feira passada com os russos, e vamos responder ainda hoje [ontem]. Fora isso, vamos também inspecionar fazendas de produtores brasileiros, num procedimento de praxe que sempre fazemos", afirmou ao Valor o secretário de Defesa Agropecuária do ministério, José Guilherme Leal.

Um funcionário da Pasta, que preferiu não se identificar, foi além: segundo ele, a notificação russa foi considerada "tecnicamente esquisita", já que a soja questionada foi colhida entre fevereiro a março do ano passado e armazenada até ser embarcada. E que, em uma primeira análise já realizada, não há motivação para uma suspensão russa de importações do grão brasileiro. "Não era para ter glifosato. Mas vamos investigar o que pode ter acontecido", afirmou a fonte.

Leal, por sua vez, explicou que os limites exigidos pela Rússia são considerados muito baixos para os padrões internacionais e defendeu que uma ampliação desses níveis seja colocada nas mesas de negociação agrícola com Moscou de agora em diante. "Vamos propor um debate técnico", afirmou o secretário.

Por Cristiano Zaia | De São Paulo

Fonte : Valor

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