Ambiente e gastos políticos dividem atenção em 2012

Os acionistas americanos apresentaram 349 propostas sociais e ambientais para serem discutidas e/ou votadas nas assembleias previstas para este ano em companhias listadas na bolsa americana.

Segundo dados apresentados no documento "2012 Proxy Season", que mapeia a evolução dessas questões nas pautas das empresas, o número baseia-se nas propostas entregues até 15 de fevereiro, prazo exigido por lei para que ela entre para discussão nas assembleias realizadas no primeiro semestre. Em 2011, 360 propostas haviam sido apresentadas nesse mesmo período. O volume de propostas, porém, tende a crescer, já que muitas assembleias são realizadas entre agosto e dezembro.

O documento, compilado pela Sustainable Investments Institute, de Washington, mostra que os temas dominantes continuam seguindo a tendência dos últimos anos – mudança do clima, uso de recursos naturais e de produtos tóxicos por parte das companhias e sustentabilidade, perfazendo pouco mais de 30% das propostas.

Mais especificamente, cresceram entre os acionistas americanos os pedidos neste ano para ação e mais transparência nas políticas adotadas para ganhos de eficiência energética, e também a preocupação em relação ao carvão e com a chamada fratura hidráulica nas prospecções de petróleo e gás – método que as empresas adotam para aumentar a produção em rochas mais profundas e densas.

Os investidores americanos apresentaram um volume 50% maior de propostas sociais e ambientais que há uma década, mantendo a marca anual de 400 propostas dos dois últimos anos. Mas isso não quer dizer que todas estejam sendo efetivamente votadas. "Muitas propostas acabam sendo retiradas após um acordo entre acionistas e a empresa, que normalmente se compromete a dedicar-se à questão proposta e apresentar soluções", diz o documento.

As propostas dos acionistas americanos para 2012 também mostraram atenção com os gastos políticos das corporações. O tema foi abordado por 31% do total de 349 propostas de cunho socioambiental. A preocupação com esses gastos tomaram espaço, por exemplo, das tradicionais questões trabalhistas, que tiveram somente 7% de representatividade, até 15 de fevereiro, para o exercício de 2012.

De acordo com a Ceres, uma das principais mobilizadoras nos EUA de companhias e grupos de investidores para a aplicação de propostas ambientais, os ganhos são claros com a estratégia de atuação de dentro para fora da empresa. A entidade cita como "caso de estudo" as conquistas para inibir o desmatamento das florestas tropicais da Ásia para o plantio de palma. Por meio da influência que exerceu sobre os acionistas, a Ceres conseguiu levar três pesos-pesados da indústria americana – Avon, de cosméticos, Hershey e General Mills, de alimentos – a se comprometer a adquirir exclusivamente óleo de palma certificado. (BB)

Fonte: Valor | Por De São Paulo

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